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Vingadores astecas? Inglaterra volta ao cenário do infame handebol de Maradona | Inglaterra

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UMAssim que o sorteio da Copa do Mundo foi concluído em Washington DC, em dezembro passado, a data foi colocada no calendário, circulada em negrito por todos os torcedores ingleses que esperavam viajar, e por milhões de outros que sabiam que não o fariam. Domingo, 5 de julho, Cidade do México. Se tudo corresse como planejado e a equipe de Thomas Tuchel liderasse o Grupo L e vencesse as últimas 32 partidas, iria ao Estádio Azteca para as oitavas de final.

Havia outro elemento em jogo. Se o México vencesse o grupo e chegasse às oitavas de final, seria o adversário. Imagine. A Inglaterra joga uma partida decisiva contra um dos anfitriões em seu quintal. É um quintal onde o México ostenta um histórico assustador, onde se sente quase invencível, em parte porque está a cerca de 2.240 metros acima do nível do mar. A altura pode virar a cabeça dos oponentes e queimar seus pulmões. Não tem consequências para o México.

Depois, há a atmosfera criada pelos 80.824 fanáticos que trabalham nisso. Você acha que já viu tudo? Você acha que já ouviu e sentiu o que os estádios mais vibrantes têm a oferecer? Não antes de você assistir a uma partida da Copa do Mundo com o México no Azteca. Para a Inglaterra é agora gloriosamente real, o derradeiro evento da lista de desejos criado quando derrotou a República Democrática do Congo (RDC) em Atlanta, na quarta-feira – um dia depois de o México ter ultrapassado o Equador numa noite estrondosa no Azteca, enquanto a celebração continuava na manhã seguinte.

É claro que há algo mais, algo mais profundo. Toca a alma de todos os torcedores ingleses; uma cicatriz que nunca vai sarar. Tuchel e seus jogadores não enfrentarão sozinhos toda a força de uma nação. Eles sentirão os arrepios de um fantasma. Se o Azteca é tudo para todos os mexicanos e muitas coisas para muitos outros, isso significa apenas uma coisa para os torcedores ingleses. A mão de Deus.

Inglaterra x Argentina nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986. As imagens são granuladas e há também pequenos detalhes que de alguma forma sobrevivem. Como a sombra em forma de aranha de uma estrutura no alto da Azteca que permanecia ao redor do círculo central durante todo o jogo. O gol de Diego Maradona de dar à Argentina uma vantagem de 2 a 0 e colocá-la na linha da vitória foi talvez o maior gol de todos os tempos. Mas quando ele pulou com a mão acima da cabeça pouco antes, ele se assegurou da desgraça.

Tuchel tinha 12 anos na época e assistia de casa, na Alemanha. Ele não sentia isso como torcedor da Inglaterra, mas ainda assim sentia. “Não foram apenas os ingleses”, diz ele. “Até eu. Não tinha ligação com o futebol inglês na época, mas até eu conheço esse momento. Lembro-me da Copa do Mundo de Maradona, claro. Dos dois gols contra a Inglaterra. Aquele driblou e aquele… sim, isso nunca se sustentaria hoje.”

Diego Maradona anula o gol da Inglaterra ao marcar um segundo gol impressionante para a Argentina. Foto: AFP/Getty Images

É banal ou simplesmente errado nomear Tuchel e sua equipe como vingadores na Azteca? De qualquer forma, o gestor concorda com o sentimento. É como se ele acreditasse que pode acessar algo de sua memória. “Isso nos recompensará”, diz ele, com os olhos brilhando. “Vamos recuperá-lo. O carma voltará para nós. Vamos reverter isso.”

Como qualquer fanático por futebol, Tuchel gosta de relembrar suas memórias de infância na Copa do Mundo. O México 86 o impressionou e tudo isso vai para a final de domingo. Ele fala sobre a forte seleção da União Soviética naquele torneio, que perdeu por 4 a 3 para a Bélgica após a prorrogação em uma partida épica nas oitavas de final. “Lembro-me de Vasyl Rats (da União Soviética) e depois de Jan Ceulemans para a Bélgica”, diz ele. “Também me lembro daquela coisa que estava pendurada no meio da Azteca e sua sombra nunca se movia. O sol estava tão forte que a sombra estava sempre ao redor do círculo central. Lembro-me do livro de mesa que veio da Copa do Mundo, das fotos deste estádio e de todas essas bandeiras… e de como era íngreme.”

“É um estádio icónico. A Alemanha jogou lá na final. Por isso estou muito entusiasmado com este jogo. É um jogo icónico defrontar o México contra o México. Jogaremos contra todo o país, contra a energia de todo o país, no seu estádio.”

“Adoro futebol e os torneios antigos”, acrescenta. “Essas fotos do México… estão no St George’s Park, onde estamos hospedados no hotel. Essas grandes fotos emolduradas do artilheiro de Gary Lineker, dos treinadores, de Peter Shilton. São ótimas peças da história. Este é um bom momento para fazer as pazes com o estádio e mudar as coisas.”

O México não perde no Azteca desde 2013. Foto: Ryan Pierse/Fifa/Getty Images

A emoção na Cidade do México está disparando. Não se engane: os locais queriam enfrentar a Inglaterra, não a RDC. Houve alegria nos pubs da cidade quando Harry Kane marcou os seus golos tardios para a vitória da Inglaterra por 2-1.

Por que favoreceriam a Inglaterra quando a RDC está em posição inferior na classificação e pode ser considerada mais vencível? Talvez pensem que a Inglaterra é vulnerável defensivamente, o que seria uma avaliação justa com base no torneio até ao momento. Mas é mais sobre como o México pensa sobre si mesmo, sobre a sua confiança suprema nos Azteca. Eles querem arrancar um grande couro cabeludo. A atitude é ‘traga isso para a Inglaterra’.

É difícil determinar o número exato de partidas que o México disputou no Azteca, pois os registros variam ligeiramente. São quase 150. O que não está em discussão é que perderam apenas oito; a última derrota remonta a setembro de 2013. A invencibilidade é de 26 partidas, após três das três vitórias neste torneio. De forma mais ampla, a partida do Equador foi a décima em Copas do Mundo no Azteca, incluindo os torneios de 1970, 1986 e atuais. O registro diz W8 D2 L0. Eles mantiveram oito jogos sem sofrer golos, inclusive em cada um dos jogos deste verão.

A Inglaterra disputou seis jogos no Azteca, dois dos quais contra o México – um empate em 1969 e uma derrota em 1985. No Mundial de 1986, derrotou o Paraguai por 3-0 nos oitavos-de-final. Nunca mais do que agora.

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