bRazil chegou à Copa do Mundo com diversas feridas abertas. Desde o Catar, em 2022, foram quatro mudanças de gestão, 95 jogadores convocados e uma crise política, incluindo a destituição da Federação Brasileira de Futebol (CBF). presidente. Foi uma grande confusão, com muitas incertezas, e o clima entre os torcedores era de pessimismo. Mas então chegou Carlo Ancelotti. Sob o comando do italiano, a seleção aos poucos foi tomando forma e transformando a relação com os torcedores, que voltam a sonhar com a sexta Copa do Mundo após 24 anos sem Copa do Mundo, a mais longa seca do tipo no período entre 1970 e 1994.
Ancelotti tornou-se um escudo para os jogadores. Até os jogadores mais experientes, como Alisson, Danilo, Marquinhos e Casemiro, se sentem mais confortáveis com uma figura tão grande no banco, o técnico mais bem-sucedido da Liga dos Campeões, com cinco títulos.
“Não há como negar que este ciclo de Copa do Mundo tem sido muito difícil para nós, jogadores”, disse Alisson, que disputa sua terceira Copa do Mundo. “Vivemos todas essas dificuldades em primeira mão. Mas desde a chegada de Ancelotti o clima mudou. Ele nos dá a tranquilidade que vem de um ambiente voltado para o trabalho, sem ter que nos preocupar com polêmicas ou outros problemas.”
“A nossa equipa não estava na sua melhor forma, mas Ancelotti fez as alterações necessárias”, disse Marquinhos. “Ele é muito inteligente. Sabe tirar o melhor partido dos jogadores que tem e ajudá-los a melhorar. Conseguiu mudar a nossa mentalidade e criou uma filosofia focada no bem-estar”.
A última vitória sobre o Japão nos últimos 32 jogos foi uma nova ferida que Ancelotti conseguiu curar. No passado recente, sofrer um gol no primeiro tempo teria sido um golpe que desequilibraria o Brasil. Desde 2023, o Brasil sofreu o primeiro gol de uma partida 12 vezes, perdendo sete, empatando quatro e vencendo apenas uma vez. Isso foi contra o Chile, nas eliminatórias da Copa do Mundo, em outubro de 2024.
O golpe do gol de Keishu Sano foi pesado. O desconforto no Brasil era claramente visível. Mas Ancelotti mudou o ambiente. Ele aproveitou o intervalo e falou com os jogadores de uma forma que surpreendeu a todos no vestiário.
“Ancelotti é um homem incrível”, disse Gabriel Martinelli, que marcou o gol da vitória contra o Japão, à CazeTV. “É fácil entender por que ele ganhou tudo pelo que competiu. Ele nos deu muita confiança. Ele disse que íamos empatar e depois vencer, que tínhamos que acreditar em nós mesmos. Você pode ver pela sua linguagem corporal como ele está calmo. Ele passa essa confiança para nós.”
Ancelotti não tem tido medo de tomar decisões importantes, como deixar Neymar de fora do onze inicial. O jogador de 34 anos já não é o jogador que era e também não está totalmente apto. Mas outros gestores menos experientes não teriam se importado com isso; ainda teriam escolhido Neymar e mais dez jogadores. Porém, sob o comando de Ancelotti, Neymar jogou apenas quatorze minutos nesta Copa do Mundo, contra a Escócia, e não jogou contra o Japão. Neymar, por sua vez, entendeu seu papel na equipe. Ele sabe que não é mais o craque do Brasil. Esse status agora pertence a Vinícius Júnior.
A gestão humana de Ancelotti sempre fez dele o treinador perfeito para o clube Seleçãoe sempre enfatizou que talentos não faltam no Brasil, mas só isso não basta para vencer uma Copa do Mundo. Por isso, além dos auxiliares Paul Clement, Francesco Mauri e do filho Davide Ancelotti, conta com a expertise de Marisa Santiago, a primeira psicóloga a integrar a comissão técnica do Brasil em uma Copa do Mundo. Ancelotti conversa diariamente com Santiago e pede conselhos sobre formas de trabalhar o jogo mental dos jogadores. Ela também conversou com os jogadores e ajudou Ancelotti nos seus esforços para criar o melhor ambiente possível.
Contra a Noruega, Ancelotti enfrenta a tarefa de curar a ferida mais profunda de todas. O Brasil não consegue vencer uma seleção europeia nas eliminatórias da Copa do Mundo desde 2002, quando derrotou a Alemanha na final em Yokohama. Houve derrotas contra França (2006), Holanda (2010), Alemanha (2014), Bélgica (2018) e Croácia (2022). Além de neutralizar Erling Haaland, Ancelotti terá mais uma vez que trabalhar o lado mental da seleção brasileira para garantir que os pesadelos das últimas cinco Copas do Mundo não voltem para assombrá-la.
Se o Brasil vencer no domingo, ainda poderá não ser considerado por muitos como um dos principais favoritos para vencer a Copa do Mundo, mas poderá muito bem ser visto sob uma nova luz, com as pessoas acreditando que é realmente possível que possam finalmente encerrar a sua longa espera pelo maior prêmio de todos.



