Argentina Ele teve uma partida mais complexa contra o Egito do que o esperado. A equipe de Lionel Scaloni teve fases de desconexão, momentos de desconforto e uma reta final onde o resultado parecia ameaçado.
Porém, a equipe terminou a partida com um placar suficiente para garantir a vaga na rodada e manter viva sua trajetória no torneio. O próximo rival será suíçouma equipe organizada e física, com a capacidade de fazer qualquer pessoa se sentir desconfortável.
Menos ruído mental, mais futebol
Arnau Torello, psicólogo esportivoafirma que o estado mental de Lionel Messi atravessa um momento único. Segundo ele, o capitão argentino joga hoje com uma liberação que não tinha há mais de dez anos. Torelló explica que Messi compete com menos tensão interna, menos interferência cognitiva e uma sensação de prazer que aumenta as suas capacidades.
A psicóloga confirma que quando desaparece a necessidade de demonstração, parte do ruído mental também desaparece. E quando há menos ruído mental, geralmente é esse o caso mais concentração, mais criatividade, mais fluidez, melhor tomada de decisão j menos medo de erros. Para Torelló, Messi aproveita esse estado para jogar com uma liberdade que multiplica o seu impacto.
Messi e a ideia do ‘yapa’: jogar sem exame
O que o próprio Messi disse recentemente sobre o seu momento vital e desportivo enquadra-se nesta leitura psicológica. O capitão falou em ‘yapa’, conceito usado na Argentina para se referir ao que vem de presente, ao que é extra, ao que se desfruta sem compromisso.
Messi explicou desta forma: “Como eu disse, tudo que vejo agora é de yapacerto?” Ao que a psicóloga explicou: “De yapa significa algo que vem como presente, algo extra, algo para desfrutar. E isso muda muitas coisas.“
Durante anos, cada partida dele parecia um teste. Não precisei apenas jogar bem: tive que demonstrar, encerrar debates, responder às críticas, ganhar uma Copa do Mundo. Essa pressão avaliativa, como a define Torelló, transformou cada apresentação num julgamento público. Mas isso acabou agora.
A dívida está paga. E quando um dos atletas mais observados e pressionados da história não sente mais que tem algo a provar, seu cérebro para de gastar energia para se proteger e passa a gastá-la jogando. A ameaça desaparece, a tensão diminui e surge um Messi mais solto, mais espontâneo e mais criativo. Um Messi que sorri mais e que parece voltar a jogar como fazia quando era criança em Rosário.
O Messi libertado: um perigo para todos
Torelló afirma que todo atleta melhora quando se liberta. Mas se for Messi quem se libertar, o cenário muda completamente. A psicóloga destaca que o melhor presente da Copa do Mundo não foi o título em si, mas a libertação que ele provocou nele. Um Messi que não precisa mais provar seu valor pode ser o mais perigoso de todos.
O argentino continua a ter a mesma visão, a mesma qualidade técnica e a mesma experiência. O que mudou foi a energia mental: agora ele gasta menos para se proteger e mais para competir. E isso, segundo Torelló, explica porque ele parece tão fluido, tão criativo e tão decidido.
Um desafio para a Suíça e para o torneio
Com a Argentina nas quartas-de-final e a Suíça como próxima rival, o foco muda para lidar com este momento emocional e esportivo.
Os argentinos entram em jogo com dúvidas, mas com Messi em situação psicológica privilegiada. Torelló resume numa ideia: quando desaparece a necessidade de demonstração, surge o melhor futebol.



