Em fevereiro, depois de uma partida particularmente difícil contra o Manchester United, o técnico do Everton, David Moyes, disse que “os árbitros realmente não querem se envolver”.
É claro que é uma via de mão dupla. Os treinadores e jogadores têm a sua própria responsabilidade pela forma como se comportam e pelas tácticas que utilizam.
O que a Premier League pode fazer sobre isso? Prometeu “maior reconhecimento de ações de retenção claras”.
Mas será que a Copa do Mundo criou expectativas irrealistas?
A BBC Sport entende que os árbitros da Premier League não adotarão a mesma abordagem dura.
Os gols da Alemanha e da Espanha ainda não seriam anulados se fossem marcados na Premier League.
A fisicalidade é importante para o jogo inglês, mas ainda existe entre os árbitros o sentimento de que o que aconteceu na temporada passada não pode continuar.
“Há uma linha intermediária onde eles podem fazer isso um pouco melhor”, disse o ex-zagueiro do Chelsea Cesar Azpilicueta à BBC One.
“Principalmente na Inglaterra você tem mais contato, você está acostumado com isso. Há algo intermediário onde todos podem se sentir um pouco mais felizes.”
Os fãs estão sempre céticos em relação a qualquer nova iniciativa no início de uma temporada, com muitos pensando que levará algumas semanas para desaparecer.
Collina acredita que a única forma de obter resultados é ser rigoroso: apresentar a situação aos treinadores e estar disposto a fazer cumprir as regras quando necessário.
Mas será que isto foi realmente testado, com apenas uma penalidade do VAR concedida por segurar, aplicada pelo time da Premier League, Jarred Gillett, quando a Croácia enfrentou Portugal?
Os treinadores da Copa do Mundo estão respondendo aos avisos de Collina e enfraquecendo suas táticas? Ou simplesmente não dão aos cantos a mesma atenção que os dirigentes dos clubes?
Os árbitros da Premier League não podem propor uma série de pênaltis nas primeiras semanas da temporada porque isso seria insustentável.
O contra-argumento é que o comportamento mudaria, mas é improvável que a história da mídia funcionasse a favor dos árbitros.
A abordagem de Collina pode ser adequada num torneio de 104 partidas, onde a maioria das equipes joga apenas cerca de quatro partidas.
É uma proposta muito diferente para uma campanha doméstica completa.
Os treinadores estarão sempre à procura do ganho marginal: formas de ultrapassar os limites para marcar um golo crucial. E ajuste suas rotinas semana após semana.
Os árbitros da Premier League devem encontrar uma maneira de reiniciar, respeitando a natureza física do jogo.
Não é fácil.



