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“Vergonha histórica”: Brasil em estado de choque

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A imprensa brasileira não tem sido gentil com a Seleção após a eliminação contra a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo.

O trauma foi total e lembra 2014. No dia seguinte à histórica eliminação da Seleção nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 contra a Noruega (1 a 2), no MetLife Stadium, o Brasil acordou com uma enorme ressaca. Vinte e quatro anos após a sua última coroação em 2002, a “nação do futebol” igualou a mais longa seca da história dos Campeonatos do Mundo. E, sem surpresa, a imprensa brasileira mostra uma violência extraordinária contra os seus jogadores e o seu treinador Carlo Ancelotti.

Globo Esporte: “Prazer e destruição da mente”

O maior portal esportivo do país, o Globo Esporte, abre suas páginas com observação clínica e impiedosa. Para os meios de comunicação social, este fracasso não foi um acidente, mas a consequência lógica da instabilidade crónica que durou quatro anos. O famoso analista Rodrigo Coutinho não tirou luvas para dissecar a atitude dos jogadores em campo.

“A complacência e a imprecisão foram os principais fatores para a eliminação do Brasil da competição. Diante de uma seleção tão dura como a Noruega, a Seleção jogou com prazer culposo, esquecendo que as oitavas de final da Copa do Mundo exigem suor, não apenas passaportes dourados. »

O site também lembra os números assustadores que descrevem o rumo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde o Catar: quatro treinadores diferentes e 96 jogadores foram testados em um ciclo de quatro anos. Um borrão artístico que se concretizou diante do pragmatismo escandinavo.

O julgamento de Carlo Ancelotti

Para o desporto diário Lance!, esta eliminação soa como o sinal de morte para a ilusão europeia. A chegada de Carlo Ancelotti, que deveria trazer um rigor tático que falta aos técnicos locais, agora é descrita como um fracasso no setor. Num editorial mordaz, o jornal critica a total falta de fundamentos de um grupo incapaz de criar perigo sem se apoiar em façanhas individuais estéreis.

“O Brasil saiu pela porta dos fundos, sem estilo próprio e privado de fissuras tentadoras. Vendemos a alma por um projeto tático europeu “moderno” que acabou purificando o nosso futebol. Sob a liderança de Ancelotti, a Seleção jogou um futebol monótono, previsível, completamente desprovido da centelha de criatividade que um dia abalou o planeta.

O jornal aponta ainda a incapacidade do técnico italiano de reagir em seu banco quando Erling Haaland começou a impor sua lei física à defesa brasileira.

Por sua vez, o UOL concentrou sua análise no teste da dobradiça central do Brasil, completamente indefeso diante de um duplo golpe do ciborgue norueguês. “Haaland dominou e o Brasil caiu, ele lembrou amargamente. A observação é terrível, mas justa: hoje, o rei do futebol mundial não está vestido de amarelo e verde. A Noruega, com suas armas simples, mas afiadas, expôs as fragilidades estruturais de uma seleção brasileira que não sabe mais se defender como unidade e que teme quando o nível físico sobe. »

O UOL também destaca o abismo psicológico que separa esta geração dos grandes times do passado, descrevendo os jogadores como “paratificados pelas apostas do placar inicial da Noruega”.

O trágico crepúsculo da geração de Neymar

O canal ESPN Brasil focou bastante nas imagens do final da partida, principalmente closes de Neymar, aos prantos, sentado no gramado do Filadélfia. Apesar do pênalti marcado logo no final da partida, o camisa 10 simbolizou uma época gloriosa no papel, mas estéril na realidade.

Os consultores do canal não esconderam o grande cansaço. “As lágrimas de Neymar são de crepúsculo. É o fim de uma era que termina sem uma única estrela adicional na camisa, eles choraram. Há muito se acredita que sua genialidade foi suficiente para esconder deficiências coletivas, mas o futebol moderno certamente assumiu o controle. Ver o Brasil contra o muro da Europa pela sexta vez consecutiva na fase final é uma vergonha que deveria pressionar por uma reconstrução total. »

“Um luto nacional”

Já em jornais gerais como O Globo ou Folha de São Paulo, os títulos rendem uma “luto nacional” e um
“vergonha histórica”. A imprensa destacou a divisão agora enorme entre os adeptos e uma equipa formada por estrelas exiladas na Europa, consideradas demasiado desligadas da realidade e do entusiasmo popular do país.

A palavra no Rio e em São Paulo agora é a mesma: destruiu tudo, desde a sede da CBF até a equipe técnica, para reconstruir a própria identidade antes da Copa do Mundo de 2030.

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