José Alonso (Oviedo, 1984) saiu das Astúrias com uma mala e uma geração inteira consigo. Corria o ano de 2008, a crise era urgente e milhares de jovens espanhóis fizeram a mesma viagem às grandes capitais europeias em busca do que aqui faltava: uma oportunidade. Chegou a Bruxelas com uma ideia que amadureceu ao observar como a forma de viajar mudou. Ali, com poucos recursos, mas com muito amor e carinho, nasceu a plataforma de viagens Buendía: primeiro como passeios de um dia para Bruges, Gante e Antuérpia; hoje, como o projecto que fez deste oviedo uma referência para uma forma diferente de descobrir a Europa. Adepto ávido do Sporting e do Barcelona, Alonso sempre gostou de futebol, mesmo quando esteve na Bélgica. Agora ele assiste seus dois países se enfrentarem nas quartas de final da Copa do Mundo.
Como você vê o jogo?
Vejo uma grande mudança na seleção belga. A Bélgica tem atualmente menos equipa do que antes, apesar de todas as possibilidades e dos grandes jogadores que teve. Apesar de tudo, o futebol é muito popular por lá, é um esporte que faz parte do dia a dia das pessoas. Mas embora ame o país, quero que a Espanha ganhe 100 por cento.
Você acompanha muito o futebol na Bélgica?
Muito. E além disso, o futebol lá tem algo muito estranho: era a única coisa que unia os falantes de flamengo e francês, que geralmente não se dão bem. Culturalmente são duas comunidades com muitas diferenças, mas foi quase a única circunstância em que as bandeiras belgas tremularam juntas, com a maior parte dos sentimentos nacionais sem qualquer forma de divisão. Uma força unitária que nem sempre ocorreu em outras áreas.
Está aí agora?
Não, estou em Praga, então assistirei ao jogo aqui. Adoro a Bélgica, embora esteja um pouco esgotado depois de tantos anos. Quero que a Espanha passe sem hesitação, mas sempre quis que a Bélgica se saísse bem porque tenho um certo carinho pelo país. Afinal, foi aí que tudo começou.
Quantos anos ele esteve lá?
Fiquei lá dez anos. Tenho ótimas lembranças dessa etapa. Cheguei no dia 7 de julho e foi no mesmo ano em que a Espanha conquistou a Copa do Mundo, em 2010. Pouco antes de desembarcar na Bélgica, a seleção conquistou sua primeira Copa do Mundo na África do Sul. Talvez tenha sido um sinal, não sei, mas a partir daquele momento começou para mim uma etapa muito bonita.
Porquê a Bélgica?
Fui para a Bélgica, como muitas pessoas da minha geração, atraído pela ideia de emigrar para capitais europeias em busca de um futuro melhor. Nessa altura, entre 2008 e 2012, muitas pessoas decidiram sair de Espanha para criar empresas ou procurar uma vida no estrangeiro. Chegando lá comecei a perceber que muitos espanhóis vinham para a Bélgica e que não havia nenhuma oferta para apresentá-los à região. Junto com meus amigos vimos ali uma oportunidade e decidimos oferecer roteiros e visitas para conhecer as cidades mais turísticas do país. E assim, quase sem perceber, iniciamos o que hoje é Buendía.
Você ainda está conectado à Bélgica de alguma forma?
Sim, muito. A empresa sempre manteve uma relação muito forte com a Bélgica, por ser um destino ainda muito visitado desde Espanha. Além disso, mais de um daqueles que estiveram na empresa durante toda a vida continuam morando lá. Afinal, Buendía nasceu na Bélgica e seria quase impossível deixarmos de estar ligados ao país, porque foi aí que todo o projeto começou.
Uma previsão para a partida. Espanha ou Bélgica?
Que a Espanha vença, mesmo que ame a Bélgica. Estive lá durante uma Copa do Mundo, em 2018, por exemplo, e estou especialmente feliz por eles estarem novamente nas quartas de final. Houve uma altura em que o futebol na Bélgica estava em sério declínio, mas por vezes era uma equipa muito forte. Em algumas ocasiões até eliminaram a Espanha. Mas o governo belga lançou um programa para revitalizar o futebol, concentrando-se fortemente nos esforços de base. Daí surgiu a geração do Courtois, do Hazard, do Lukaku… Alguns deles ainda jogam em bom nível. Adoro essa geração, mas agora vejo-os com menos oportunidades do que a Espanha.
E você virou torcedor de algum time de lá?
Não era torcedor, mas o seguiram porque havia uma rivalidade muito importante. Anderlecht-Bruges, o Anderlecht-Standaard de Liège… Este último foi super violento, um derby completo.
Você acha que a Espanha pode vencer esta Copa do Mundo?
Naturalmente. Estou muito animado com esta seleção. Acredito sinceramente que La Roja tem muito potencial. Você vê uma equipe com muito talento, com fome e com vontade de repetir grandes feitos.
Fonte: A Nova Espanha



