A final da Copa do Mundo está aqui. Espanha e Argentina se enfrentam neste domingo, 19 de julho, às 21h no maior palco do futebol mundial. A ‘Roja’ almeja conquistar a segunda estrela com um grupo de jovens desavergonhados, enquanto a ‘Albiceleste’ luta pela quarta vitória de sua história, depois das vitórias conquistadas em 1978, 1986 e 2022. Para analisar a equipe de Lionel Scaloni, conversamos com Sergi Armengoljornalista especializado em futebol argentino.
O tricampeão mundial se caracteriza por dominar as partidas através da posse de bola. Porém, à sua frente está o time que tem melhor desempenho com a bola ao longo do torneio. “Será um jogo de idas e vindas. A Espanha vai dominar porque seu meio-campo é melhor, mas a Argentina também terá situações ou momentos para controlar, para propor. Haverá momentos de domínio para ambas as equipes”, explicou Armengol.
Apesar da boa forma dos ‘Red’, que destruíram a França no ‘meio’, não há um favorito claro. “Pelo futebol e pelo que vimos, a Espanha é a grande favorita, mas vejo 50 a 50 porque a Argentina está na frente, o time com mais coração e mais identidade em todo o campeonato. Um time que já tem antecedentes para ser campeão, sabe sofrer, tem muito talento e Messi é o melhor jogador da Copa do Mundo”, analisa o jornalista.
Messi, exausto, sorri após chegar a mais uma final / Argentina
A ‘Albiceleste’ chegou à partida decisiva depois de sofrer em cada fase eliminatória. Eles derrotaram Cabo Verde e Suíça na prorrogação, enquanto derrotaram o Egito e a Inglaterra nos acréscimos. “É incrível (vitórias nos últimos minutos). É uma mistura de como os jogadores argentinos vivenciam a camisa, o amor e a representatividade por essas cores. Estas situações no Qatar, com uma desvantagem de 0-2, teriam sido abordadas de forma diferente”, afirma Armengol.
Na Copa do Mundo de 2022, em que a Argentina foi campeã, os melhores jogadores chegaram em plena forma. “No Qatar, a ‘Albiceleste’ dominou todos os jogos; parecia que a equipa que mais merecia venceu”lembra o jornalista. Apesar de terem chegado à final, o desempenho individual de alguns deles ficou abaixo do esperado nesta edição. “Isso não está acontecendo nesta Copa do Mundo, é verdade Existem muitos jogadores de futebol abaixo do seu nível. A Argentina não tem sido melhor que Cabo Verde ou o Egipto, mas superou isso através da coragem e da identidade. Eles conseguem se redimir, superar situações adversas e chegar à final”, afirma o jornalista.

Argentina, com o título de campeã mundial em 2022 /CARL RECINE
O ponto fraco da seleção argentina estão nas laterais. “Nahuel Molina me parece o calcanhar de Aquiles desta equipecomo visto no gol da Inglaterra, onde cometeu um erro inaceitável nas semifinais da Copa do Mundo”, diz Armengol, que avalia Tagliafico melhor: “Ele não é um ala na final da Copa do Mundo, não tem o nível defensivo de Cucurella, mas não é um mau defensor. É claro que ele precisa da cobertura de Lisandro Martínez e da ajuda dos meio-campistas para deter Lamine.”.
Por outro lado, a estrela está sem discussão Leão Messi. O craque argentino se reinventou aos 39 anos e, ao lado de Kylian Mbappé, é o artilheiro da Copa do Mundo com oito gols. “Do ponto de vista futebolístico, não é a melhor versão, porque o Catar é incomparável. Mas mesmo perdendo a final “Esta versão é a mais merecedora da sua carreira pela forma como chegou fisicamente, pela competição que disputa e pela idade”.o jornalista indica.

Scaloni, durante a partida contra a Argélia /EFE
Antes do sucesso argentino, que lhe valeu duas Copas América, uma Copa do Mundo e uma Finalíssima, a ‘Albiceleste’ estava acostumada a cair na final, a ponto de Messi chegou a renunciar à seleção. Tudo mudou em 2018, quando Scaloni chegou ao poder depois da Copa do Mundo na Rússia. “Ele é o treinador mais importante da história da selecção nacional; o seu legado será maior que o de Menotti e Bilardo.”seus antecessores campeões mundiais. Dois meses antes de sua chegada, a Argentina é uma seleção que nem deveria ter saído dos grupos da Copa do Mundo. Em vez disso, você olha para a equipe atual… “É a mudança de rosto mais brutal de qualquer time na história do futebol moderno.”Armengol reconhece.
Scaloni, aluno de Luis de la Fuente na formação de treinador, deu à seleção sul-americana uma identidade própria. “Ele conseguiu construir um grupo que mata e morre pela ‘Albiceleste’, sejam eles suplentes ou titulares. Criou uma cultura de família, de fraternidade, de amor à camisola e de respeito por um capitão, nomeadamente Messi.” Se você também se sai bem taticamente nas mudanças, nas conversas, nos sistemas… aí você fica com um time campeão mundial”, elogia o jornalista.
O primeiro título do treinador veio na Copa América de 2021. No entanto, os alicerces desta geração de ouro, que irá disputar a segunda estrela consecutiva, começaram a tomar forma alguns anos antes. “Na Copa América 2019 começa a se formar um bloco com identidade, que acaba perdendo para o Brasil que dominava nos últimos tempos. A Argentina não lutava contra eles há anos e os enfrentou nas semifinais. A partir daí você pode ver a mudança geracional”, diz Armengol.



