A referência em neuropediatria em Espanha, o Dra. Maria José Masque acaba de ser publicado Neurônios em crescimento (Vergara), convida você a compreender que o cérebro do seu filho precisa de previsibilidade para se sentir seguro e desafiado a seguir em frente; conforto e espera; compreensão e limites. E nos lembra que o amor e a disciplina são as duas faces complementares de um ambiente favorável ao desenvolvimento do cérebro da criança.
Qual é o objetivo principal do livro?
O livro é destinado ao público em geral e principalmente a quem deseja entender melhor como as crianças aprendem: como começam a andar, a falar ou a desenvolver habilidades mais complexas. Abrange o desenvolvimento desde a concepção até os 6 anos de idade.
A ideia não é estabelecer regras ou gerar alarmismo, mas sim fornecer conselhos baseados em evidências científicas. Às vezes, as pessoas podem se sentir culpadas ao ler sobre paternidade, e não é isso que procuramos. Não é um exame, mas sim um manual para melhorar o suporte.
O que sabemos hoje sobre como o cérebro de uma criança se desenvolve?
Sabemos que o cérebro humano é extremamente flexível. Nascemos com um cérebro muito imaturo e é exatamente isso que nos permite desenvolver competências em qualquer contexto do mundo.
Porém, ainda existem muitas coisas que não são 100% conhecidas. Por exemplo, como exatamente a experiência do feto e da criança determina a arquitetura cerebral. Podemos explicar isso a nível biológico, mas sempre há lacunas.
Qual o papel do meio ambiente durante a gravidez?
As influências ambientais desde o útero. A partir das oito semanas os sentidos começam a se desenvolver e o feto já recebe estímulos.
Embora pareça que todas as gestações são iguais, não são: a dieta da mãe, o seu estado emocional ou a sua atividade física influenciam o ambiente do feto. Até o sabor do líquido amniótico muda dependendo da dieta da mãe.
Existe pressão excessiva na criação dos filhos hoje?
Sim, há um aumento do estresse em torno do desenvolvimento infantil. Parece que tudo deveria ser um indicador de sucesso ou de fracasso: se a criança anda cedo ou tarde, se fala mais ou menos…
Mas a realidade é que o desenvolvimento tem variabilidade. A maioria das crianças desenvolve-se dentro dos limites normais e não “falha”. O problema é que perdemos um pouco do bom senso e discutimos coisas que são normais muito cedo.
As crianças pequenas estão superestimuladas?
Em alguns casos sim. Há uma tendência a pensar que tudo deve ser aprendido de forma estruturada: ler, escrever ou lembrar muito rapidamente.
Mas as crianças têm que brincar. Nem tudo precisa ser produtivo. Eles aprendem mesmo quando parece que não estão aprendendo. O exercício excessivo pode causar mais ansiedade nos adultos do que beneficiar as crianças.
E quanto à socialização e aos limites?
O equilíbrio é importante. A falta de limites também pode ser prejudicial. As crianças precisam de referências, rotinas e orientações claras, mas também de liberdade para explorar.
Educação não é apenas ensinar, é também orientar. E esse apoio é altamente dependente do contexto familiar, cultural e social.
Por que o livro estabelece o limite em 6 anos?
Porque mais ou menos nessa idade se consolidam funções básicas: linguagem, autonomia, relacionamento entre pares ou controle esfincteriano.
A partir dos 5 ou 6 anos, desenvolve-se um pensamento mais lógico e estruturado e uma maior capacidade de compreender os outros. Antes dessa idade, muitas dessas habilidades estão em desenvolvimento ou são rudimentares.
Qual o papel dos pais na criação de filhos hoje?
A mudança fundamental é a presença. Não é necessário fazer atividades constantemente com as crianças, mas sim estar disponível, orientar e compartilhar em tempo real.
As telas e o ritmo de vida atual dificultam essa presença. E embora muitas vezes não seja uma escolha livre, mas uma consequência do contexto laboral e social, essa ausência é perceptível na banda.



