O ‘caso Vinicius-Prestianni’ marcou um antes e um depois nas regras do futebol mundial. Os alegados insultos racistas que o jogador do Benfica gritou ao jogador do Real Madrid, enquanto tapava a boca, num jogo da Liga dos Campeões marcaram um ponto de viragem para a FIFA e a IFAB introduzirem uma nova lei aplicável ao Mundial.
Foi uma das inovações regulatórias durante a Copa do Mundo, regra criada com o objetivo de evitar que os jogadores de futebol cubram a boca enquanto discutem com os rivais, para que casos como o de Prestianni não se repitam e sejam punidos sem provas porque as câmeras de televisão não conseguiram captar os insultos.
Na verdade, o que é popularmente conhecido como “Lei Vinicius” já fez as suas primeiras vítimas nos Estados Unidos, México e Canadá. Miguel Almirón foi o primeiro jogador de futebol da história a ser suspenso por falar com a mão na boca durante uma discussão com um rival, o turco Müldür. O jogador paraguaio recebeu cartão vermelho direto após advertência do VAR, pois Piero Hincapié também foi expulso de campo em discussão com o mexicano Santi Giménez.
Mas o que parecia uma regra revolucionária que não duraria muito… acaba por ser uma batalha entre a FIFA e a UEFA! O órgão presidido por Aleksander Ceferin confirma que não aplicará a ‘lei Vinicius’ nem na Liga dos Campeões nem em qualquer competição como a Liga Europa ou a Liga Conferência.
Este é mais um capítulo da batalha entre a UEFA e a entidade de Gianni Infantino, duas organizações que tomam decisões opostas em assuntos diversos, especialmente em casos de arbitragem. Desta forma, se um jogador de futebol decidir cobrir a boca num confronto com um rival nas competições europeias, não poderá ser expulso de campo pelo árbitro ou pelo VAR.
Uma decisão algo estranha da UEFA, especialmente depois da polémica causada pelos alegados insultos racistas de Prestianni, ocorridos precisamente numa das suas competições e que continua a repercutir devido a uma sanção imposta sem vídeo ou som que confirmasse os factos. O organismo europeu justifica a sua rejeição argumentando que a regra viola a liberdade de expressão dos jogadores.



