É uma pena o que Carlo Ancelotti inventou e cometeu. O ex-técnico do Real Madrid manchou a camisa ‘verde e amarela’ com uma abordagem pouco natural que rompe com a tradição do único pentacampeão mundial. Eles desistiram da bola – cuidado! Terminaram a partida com apenas 35% de posse de bola, defenderam como um time pequeno e não tiveram poder de fogo nem mordida no ataque. Nem Endrick, que sai da Copa do Mundo sem ver gol, nem Neymar Jr. conseguiram ajudar em caso de naufrágio em que Vinicius Jr..
Uma Seleção pobre, sem alma e sem recursos, caiu nas oitavas de finalperante uma Noruega que tem o poder determinante de Erling Haaland que ganhou o dia: teve duas chances e marcou dois gols, resolvendo a partida de forma fria e calculista. Ninguém pode dizer que o 1-2 dos Vikings é injusto. Nem nos fiordes nem em Copacabana.
Pênalti perdido
O choque nervoso e tenso começou, com Berg marcando em uma jogada de ataque que viu Sorloth beliscar Douglas Santos, recurso tático repetidamente explorado pelos Vikings. O gol foi anulado por impedimento claro. A mensagem norueguesa permaneceu na mesa.
Desconectada e rígida, Seleção teve dificuldade para entrar na partida. No entanto, um pênalti caiu do nadadepois da recuperação de Ryan em frente à área onde Ajer Zancadilleó para Matheus Cunha.
Não chute Vinícius Jr., mas Bruno Guimarães. Ele executou mal. O seu remate, quente e a meio caminho, foi travado até ao momento pelo suplente do Sevilha. Terra Nova. Um erro que deixou os canarinhos gelados no calor de Nova Jersey. Fazia quarenta anos que o Brasil não desperdiçava um pênalti máximo no tempo regulamentar de uma Copa do Mundo: naquela ocasião foi Zico contra a França, numa partida onde a seleção Conde Santana Ele foi expulso do México 86 na disputa de pênaltis.
Bruno Guimarães perdeu pênalti /Anjo Colmenares
Os Vikings ditaram o ritmo, como se fosse o tambor marcando a remada de sua torcida, com posses longas em que moldaram o jogo de uma forma contemporânea de acordo com suas próprias percepções Martin Odegaard, que se movia confortavelmente nas entrelinhas. Pragmático e sem muita inspiração, Canarinha se manteve fechado e apostou todas as fichas no contra-ataque.
Foi um período inicial de pesquisa tática, mais de insinuação do que de ação, em que as estrelas eram poucas e espaçadas: Haaland não estava e Vinícius só o fez aos 40 minutos, quando criou uma jogada para si após recuperar bola na área norueguesa. Foi a chance mais clara da Canarinha, fora o pênalti fatídico. Sorloth também teve, já na prorrogaçãoque desviou bola parada na entrada da área e obrigou Alisson a se exibir.

Haaland tenta controlar a bola em ação de ataque / VAI OLIVER
Haaland, aquele ‘ó rei’
Ståle Solbakken foi corajoso e mudou os dois extremos no intervalo. A Noruega continuou a governar, enquanto o Brasil estava amarrado e sem alívio. Ancelotti precisou de algum tempo, mas acabou por fazer uma jogada e contratar o ‘querido’ Endrick com a intenção de mudar a temperatura do jogo. E de repente Vinícius o colocou cara a cara com o goleiro, mas o ‘menininho’ errou um daqueles gols que nunca se perdem. Apesar de tudo, a Seleção com referência ofensiva conseguiu alguns avanços, mas não o suficiente.
O Brasil teve que quebrar o ímpeto. E foi a vez de Neymar Jr. pouco antes da pausa para hidratação. Carletto deu-lhe 22 minutos.
Porém, quem apareceu em cena foi Haaland. Ele tinha um e não o perdoou. Recebeu centro açucarado do Benfiquista Andreas Schjelderup e O matador do City, com uma cabeçada impecável em que superou a pressão Gabriel Magalhães, fez o 0-1. O jogo terminou aí.
Os brasileiros não tinham pernas, nem cabeças, nem corações para se apoiar. E sem dar margem para especulações, Haaland voltou a dizer: “Aqui estou” e finalizou a partida com um pé esquerdo bem colocado de fora da área. 0-2. Aos 97 minutos houve pênalti para o Brasil que Neymar Jr. converteu. Não adiantou nada.



