Quem acompanha uma transmissão de futebol no Brasil escuta, em poucos minutos, palavras que não aparecem em nenhum dicionário formal com o mesmo sentido. Chapéu, caneta, frango, banheira. O vocabulário do torcedor brasileiro é tão criativo quanto o futebol jogado por aqui, e muitas dessas expressões nasceram nas várzeas e nos campos de terra.
Dribles que viraram expressão
O chapéu, também chamado de lençol, é o drible em que o jogador levanta a bola por cima do adversário e a recupera do outro lado. A caneta é quando a bola passa entre as pernas do marcador, um dos lances que mais irritam quem sofre e mais animam a arquibancada.
A pedalada, popularizada por jogadores como Robinho e Denílson, é o movimento de passar os pés por cima da bola, sem tocá-la, para enganar o defensor. O elástico, que ficou associado a Rivellino e depois a Ronaldinho, consiste em levar a bola para um lado com a parte externa do pé e puxá-la rapidamente para o outro.
Termos de gol e de goleiro
O gol olímpico é aquele marcado diretamente da cobrança de escanteio. O nome vem de 1924, quando o argentino Cesáreo Onzari marcou dessa forma contra o Uruguai, então campeão olímpico. A bicicleta, chute de costas com o corpo no ar, teve no brasileiro Leônidas da Silva um dos maiores divulgadores, ainda nos anos 1930.
A cavadinha é a finalização em que o jogador toca por baixo da bola, encobrindo o goleiro, muito usada em pênaltis. Já o frango é o gol fácil que o goleiro deixa passar, aquele chute sem perigo que escapa das mãos. Nenhum goleiro gosta de ouvir a palavra.
Expressões de jogo e de torcida
Estar na banheira é ficar parado perto do gol adversário, geralmente em posição irregular, esperando a bola. O carrinho é o desarme feito deslizando no gramado. Dar um balão é chutar a bola para longe, sem direção, para aliviar a pressão. E quando um time vira o placar no fim, o torcedor fala em virada heroica.
Na arquibancada, pipocar é fugir da responsabilidade num jogo decisivo. Secar é torcer contra o rival. E o famoso “é campeão” costuma ser gritado bem antes do apito final, o que nem sempre dá certo.
Essas palavras ajudam a explicar por que o futebol brasileiro tem um jeito próprio de ser contado. Leia mais curiosidades na Enciclopédia e confira os lances da rodada em Jogos.



