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Seleção Brasileira feminina de vôlei vive semana decisiva antes do Sul-Americano

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Seleção Brasileira feminina de vôlei vive semana decisiva antes do Sul-Americano

Há semanas de treino que servem para ajustar detalhes. E há semanas como esta, em que um técnico precisa olhar para 17 jogadoras e escolher 14. É onde está José Roberto Guimarães neste começo de setembro, no Centro de Desenvolvimento do Voleibol, em Saquarema, a poucos dias de a Seleção Brasileira feminina de vôlei entrar em quadra no Maracanãzinho por algo que vai muito além de um troféu continental.

O Campeonato Sul-Americano começa na próxima terça-feira e, desta vez, carrega um peso que edições anteriores não tinham: o campeão garante vaga antecipada nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Em um ano sem Mundial e sem Olimpíada, o torneio deixou de ser rotina de calendário e virou o alvo principal da temporada. O TEMPO

Quando e onde será o Sul-Americano

A competição acontece entre os dias 8 e 13 de setembro, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. O Brasil estreia contra a Venezuela e encerra a participação diante da Argentina, no último dia de torneio. LANCE!

Confira a tabela da Seleção (horários de Brasília):

DataJogoHorário
Terça, 8/9Brasil x Venezuela20h
Quarta, 9/9Brasil x Peru20h
Quinta, 10/9Brasil x Colômbia20h
Sábado, 12/9Brasil x Chile13h30
Domingo, 13/9Brasil x Argentina12h

Ao todo, seis seleções estão inscritas: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela. O campeonato será disputado em turno único, com todas as equipes se enfrentando. O primeiro critério de desempate é o número de vitórias, seguido por pontuação, relação de sets, razão de pontos e confronto direto. Não há final: quem somar mais pontos ao fim das rodadas leva o título. LANCE!Web Vôlei

Detalhe importante para quem vai acompanhar: o formato elimina a rede de proteção de um mata-mata. Um tropeço no meio da semana não se corrige em uma decisão no domingo.

Por que a competição vale tanto para o ciclo de Los Angeles 2028

Esta será a primeira oportunidade de classificação olímpica para as seleções sul-americanas dentro do novo ciclo. Ou seja: o Brasil pode resolver em cinco jogos, em casa, um assunto que outras seleções vão levar meses tentando resolver em pré-olímpicos e ranking mundial. SpaceMoney

Não é uma questão de sobrevivência — há outros caminhos adiante no ciclo. É uma questão de economia de energia e de planejamento. Garantir a vaga agora libera 2027 e o início de 2028 para o que realmente interessa a uma comissão técnica: testar elenco, dar minutagem a atletas novas e chegar aos Jogos com um time montado, e não improvisado. Como o Mundial foi disputado em 2025 e volta em 2027, o Sul-Americano é o campeonato que encerra a temporada de seleções. No Ataque

As mudanças recentes no grupo

A movimentação mais recente aconteceu na sexta-feira, 28 de agosto, e mexeu com a estrutura do elenco. A CBV oficializou, por nota, a dispensa da levantadora Macris e da líbero Natinha. A nota oficial não trouxe nenhuma informação adicional sobre a decisão da comissão técnica. Web Vôlei

Vale registrar o que é informação oficial e o que não é: a entidade comunicou as saídas sem detalhar motivos, e é assim que a notícia deve ser tratada até que haja pronunciamento das atletas ou da CBV.

Do outro lado, a levantadora Vivian, a ponteira Karina e a oposta Sabrina foram convocadas para os treinos e se juntaram ao grupo concentrado em Saquarema. Com as movimentações, 17 jogadoras treinam visando ao torneio continental, e caberá a Zé Roberto e à comissão definir três cortes, já que a lista final deve ter 14 nomes e ser registrada até a véspera da competição, em 7 de setembro. LANCE!LANCE!

Quem ganhou espaço

A saída de Macris tem efeito prático imediato. Com a dispensa da levantadora, o elenco conta apenas com Roberta e Vivian na posição — Bruninha, que seria outra opção, foi dispensada da Seleção B. No Ataque

Análise: com esse desenho, Vivian, de 26 anos e atleta do Flamengo, tende a ser presença provável na lista final por uma questão de necessidade posicional. Mas convocação não é titularidade, e vale a ressalva: ela chegou ao grupo principal há uma semana, vinda da Seleção B, enquanto Roberta acumula rodagem de ciclos olímpicos inteiros — a levantadora de 36 anos tem duas medalhas olímpicas pelo Brasil, prata em Tóquio e bronze em Paris. No Ataque

Na posição de líbero, o cenário ficou mais simples em número e mais aberto em disputa. Marcelle, de 24 anos, foi contratada pelo Osasco e se destacou no Mundial de 2025; Nyeme, de 27, atua no Minas. Karina e Sabrina, por sua vez, chegam com a missão clássica de quem entra tarde: aproveitar os treinos para convencer. No Ataque

Os retornos importantes

Em relação ao time que terminou a Liga das Nações, há três nomes de volta. Gabi Guimarães, Tainara e Nyeme integram o grupo de treinos: a ponteira e a oposta foram desfalques por lesão durante a VNL, enquanto a líbero disputou a semana de abertura da competição, em Brasília, mas não viajou para as etapas no exterior para cuidar da filha. Gabi ficou fora da fase final por causa de dores na lombar, e Tainara sofreu lesão no joelho direito após disputar as duas primeiras semanas. lanceOlimpia do Dia

A baixa confirmada é a de Julia Kudiess, que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho na partida contra os Estados Unidos, na última semana da fase classificatória da VNL, em Osaka, passou por cirurgia em 15 de julho e tem recuperação estimada entre oito e nove meses. É a ausência mais sensível do grupo, por se tratar de uma central que vinha sendo peça de rotação central no ciclo. O TEMPO

Outra mudança em relação ao vice da VNL: a ponteira Maiara Basso não participou da preparação e voltou a integrar a Seleção B, podendo ser novamente convocada em caso de necessidade. lance

O que Zé Roberto busca nesta preparação

Aos 72 anos, o treinador chega ao Maracanãzinho com uma sequência conhecida de quem trabalha em ciclos: usar a competição para dar ritmo, testar variações e, ao mesmo tempo, não abrir mão do resultado. No Ataque

Análise: o Sul-Americano oferece uma janela rara — cinco jogos oficiais, em casa, contra adversários de níveis diferentes. Dá para rodar o elenco nas primeiras rodadas e reservar a formação mais forte para os confrontos de maior exigência. O risco, num formato de turno único, é justamente esse equilíbrio: rodar demais cedo pode custar caro na conta final de sets e pontos.

O Brasil vem de vice-campeonato da VNL 2026, com derrota para a Turquia por 3 sets a 1 (23/25, 25/23, 26/24 e 25/21) — uma final decidida em detalhes, com dois sets no limite. É o tipo de referência que costuma orientar o trabalho de uma comissão: passe, saque e finalização em momentos de pressão. SpaceMoney

Adversários e nível da competição

O Brasil é, historicamente, a força dominante do continente. Maior vencedor da história do torneio, soma 23 títulos e defende a taça conquistada em 2023, quando terminou a campanha invicta, em Recife. O TEMPO

Isso não significa passeio. Argentina, Colômbia e Peru vêm investindo em formação e disputam regularmente competições internacionais; Venezuela e Chile costumam jogar com intensidade alta contra o Brasil, especialmente na largada de um torneio. E o clássico com a Argentina, no encerramento, tende a ser o jogo de maior temperatura — inclusive fora de quadra: os duelos com as argentinas tiveram precificação diferenciada de ingressos em relação às demais partidas. SpaceMoney

A comparação com o cenário mundial também ajuda a dimensionar: o vôlei feminino global vive um momento de equilíbrio raro, com Turquia, Itália, Polônia, Japão e Estados Unidos brigando ponto a ponto. O nível continental é outro, mais irregular. Mas jogo de vaga olímpica tem lógica própria.

O que será necessário para conquistar a vaga

Pela matemática do formato, o caminho é direto: vencer o máximo de jogos e, preferencialmente, com o menor desgaste possível de sets. Como o primeiro critério de desempate é o número de vitórias, seguido por pontuação e relação de sets, cada parcial perdida em jogos considerados mais acessíveis pode pesar numa eventual disputa ponto a ponto na tabela. LANCE!

Na prática, três fatores tendem a definir a campanha:

  1. Estabilidade no passe. Com a definição ainda aberta entre as líberos e uma levantadora recém-chegada ao grupo principal, a recepção é a variável mais sensível.
  2. Condição física dos retornos. Gabi e Tainara voltam de problemas físicos, e a forma de ambas ao longo da semana influencia diretamente o desenho do time.
  3. Rotação bem calibrada. Cinco jogos em seis dias, com apenas uma folga na sexta-feira, exigem gestão de carga.

Perspectiva para a competição

O Brasil chega ao Maracanãzinho como favorito — e essa é uma constatação, não uma garantia. O favoritismo se sustenta em histórico, elenco e mando de quadra, mas o formato de turno único não perdoa oscilação, e a lista final de 14 nomes só será conhecida na véspera da estreia.

Nos próximos dias, o que se sabe com certeza é pouco e é suficiente: o grupo treina em Saquarema, três atletas serão cortadas até 7 de setembro e a Seleção estreia na terça, às 20h, contra a Venezuela. O resto — quem levanta, quem recebe, quem termina os jogos — ainda está sendo decidido em treino, longe das câmeras. Que é exatamente onde este tipo de campanha costuma começar.

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