O clima esquentou nas quadras do Melbourne Park. Enquanto a jovem estrela canadense Victoria Mboko confirmou seu favoritismo com uma atuação cirúrgica, o francês Corentin Moutet roubou a cena — e a paciência da torcida local — ao utilizar um artifício tático controverso para fechar sua partida de estreia no Australian Open de 2026.
Polêmica no match point
Corentin Moutet nunca foi de fugir de polêmicas, e dessa vez não foi diferente. O francês garantiu sua vaga na segunda rodada ao despachar o australiano Tristan Schoolkate em sets diretos, com parciais de 6-4, 7-6 (1) e 6-3. Porém, o que marcou o confronto não foi apenas o placar elástico, mas a forma inusitada como ele foi selado.
No momento decisivo, com o match point na raquete no terceiro set, Moutet optou por um saque por baixo. A tática, embora perfeitamente legal dentro das regras do tênis, é vista por muitos puristas e torcedores como desrespeitosa, especialmente quando executada contra um jogador da casa. Schoolkate, nativo de Perth, foi pego de surpresa e mandou a devolução para fora, decretando sua derrota.
A reação das arquibancadas da Show Court Arena foi imediata: uma chuva de vaias cobriu a comemoração do francês enquanto ele corria para cumprimentar o rival na rede. Apesar da desaprovação ruidosa do público, Moutet manteve sua postura e defendeu a escolha técnica utilizada para vencer o ponto.
Domínio canadense e números impressionantes
Em outra quadra, o drama deu lugar à eficiência técnica. A canadense Victoria Mboko, 17ª cabeça de chave, não tomou conhecimento da convidada local Emerson Jones. Em apenas 1h12, Mboko carimbou sua passagem para a próxima fase com um sólido 6-4 e 6-1.
Foi uma estreia de gala para a tenista figurando entre as favoritas em um Grand Slam pela primeira vez. O desempenho foi avassalador: ela não enfrentou um único break point sequer em seu serviço durante toda a partida, convertendo quatro das dez oportunidades que criou no saque da australiana. Enquanto Jones, ex-número 1 juvenil fazendo sua segunda aparição na chave principal, cometeu 24 erros não forçados contra apenas 12 bolas vencedoras, Mboko manteve a consistência com 14 winners e 20 erros.
De olho na história
Essa vitória tem um sabor especial, marcando o primeiro triunfo da carreira de Mboko, de 19 anos, no Australian Open. O tênis canadense vive um momento interessante, já que, pela primeira vez na Era Aberta, o país conta com duas cabeças de chave na chave feminina — Mboko e Leylah Fernandez (nº 22). Ambas buscam superar o feito de Eugenie Bouchard, que alcançou as semifinais do torneio em 2014.
A fase de Mboko é realmente iluminada. Ela venceu 10 das suas últimas 11 partidas em eventos de simples da WTA, vindo de um título em Hong Kong no fim de 2025 e uma final em Adelaide na abertura desta temporada. Além disso, ela sustenta uma sequência de sete vitórias consecutivas contra jogadoras fora do top 100.
O próximo desafio
Agora, o nível de dificuldade deve aumentar. Na segunda rodada, a canadense terá pela frente a norte-americana Caty McNally, que também avançou com facilidade ao derrotar a qualifier Himeno Sakatsume por 6-3 e 6-1. O histórico recente favorece a americana, que venceu o único duelo anterior entre as duas em três sets, no torneio de Austin, em 2024. Resta saber se o embalo atual de Mboko será suficiente para reescrever esse retrospecto.

