Marrocos poupou a vida do Brasilque conseguiu eliminar nos primeiros quarenta e cinco minutos. O 1 a 1 é insuficiente para a gula inicial dos Leões do Atlas e mostra as limitações da equipe de Ancelotti na perspectiva canarinha.que teve muito pouca preparação para a Copa do Mundo e que, agora que o futebol está visível, dificilmente conseguirá brigar pelo título.
Após a estreia frustrante em Nova Jersey o ‘Hexa’ é um ato de fé, porque acontece às custas da inspiração de suas individualidades. Desta vez Vinicius Jr. salvou os móveis com um pequeno ‘rangido’.
Olé de Marrocos
O Brasil começou bem. Nervoso, rígido, sem ideias e repetindo erros não forçados na casa de máquinas, ficou à mercê da proposta de combinação dos norte-africanos, que jogaram com confiança e autoconfiança. Na MetLife até ouvimos alguns ‘olé, olé’ dos torcedores marroquinos, entusiasmados com o ‘jogo bonito’ do seu time.
Ancelotti já tinha avisado que se preocupava principalmente com as ‘estatísticas de golos’, para além da posse de bola. Pragmatismo anunciado na sala de imprensa e transferido para a grama. E o Brasil teve sua primeira grande oportunidade numa conexão direta. Vinícius um bom centro foi tomado e Igor Thiago, a aposta em ‘9’ falhou em sua tentativa de cabeça. Esta é a proposta para a Copa do Mundo: ótimo… e obrigado.
O Brasil se acalmou um pouco. Ele manteve a propriedade, o que deu uma falsa sensação de paz… porque, quando apontou uma melhoria, Marrocos deu o primeiro golpe.
Ismael Saibari na ação em que fez o 0-1 /EFE
O jogador do Real Madrid, Brahim Díaz, quebrou as linhas de pressão das Canarinhas e desviou para Ismael Saibari, que aproveitou a exposição da ‘dupla’ central brasileira. O avançado do PSV, natural de Terrassa, terminou o jogo com um excelente toque que superou a saída desesperada de Alisson. 0-1 minuto 21.
Vinicius Jr apareceu.
O Brasil, que estava congelado e em geral em curto-circuito, sofreu em todos os setores em uma partida que foi difícil para ele. Porém, as enfermidades dos Canarinhos, que eram múltiplas, foram escondidas pelo gênio individual.
Vinícius Jr.que fez um jogo muito chato, recebeu onde queria. Percebendo que estava sendo pressionado, ele tirou um grande jogo individual da cartola, reduziu e terminou com uma chicotada a 70 mph. Você tem que admitir: um gol maravilhoso.

Vinícius marcou um belo gol em ação individual /Sebastião Moreira
Uma chicotada em ação isolada do polêmico atacante madridista colocou o Brasil no palco e deixá-lo chegar ao resto vivo, é verdade Ancelotti não teve escolha senão tentar colocar ordem na confusão tática que ele próprio promoveu.
As apostas fracassadas de Carletto
O treinador italiano teve grande destaque. A capacidade de colocar um zagueiro central, Ibanez, no lado direito não funcionou, criando um buraco negro defensivo. O meio-campo estava muito despovoado com um Casemiro cardado que passou o jogo enquanto Bruno Guimarães defendeu as bolas da melhor maneira que pôde.
E acima, Raphinha pagou as consequências do que seu treinador pediu. Começou jogando pela esquerda para formar dupla com Vinícius. Devido à inexistência de jogo dentro da Seleção, mudou para sua posição original, ponta direita, onde não foi suprido. Se o Braugrana não sofreu golos na esquerda até então, isso se deveu em grande parte ao seu treinador. Seu sacrifício tático foi em vão. E o Igor Thiago, que o SPORT destacou com exclusividade é difícil de digerir, não importa como você olhe para isso. É uma blasfêmia para quem já teve Romário e Ronaldo nessa posição.

Raphinha, que estava comprometido com trabalho de contenção, disputa bola com Khannouss /EFE
Ancelotti foi intervencionista e corrigiu. Ele colocou o veterano Danilo por Ibáñez j a Fabinho pelo desastroso Casemiro. O Brasil escondeu suas vulnerabilidades com melhor posicionamento e respirou com posses mais longas.
O Marrocos, que havia sido muito superior no primeiro turno, agora se defendia sem muitas dificuldades contra os ataques burocráticos dos canarinhos.
Com o sangramento aparentemente estabilizado, Carletto sentiu que era hora de ir atrás do Brasil com a segunda onda de mudanças. Luiz Henrique, ponta explosivo e desequilibrado, entrou para jogar pela direita Matheus Cunha assumiu o lugar de Igor Thiago. Com essas mudanças, Raphinha voltou à posição original na esquerda, mas jogou menos engessado e ingressou na segunda linha.
O calor na Costa Leste afetou ambas as equipes e a plasticidade do segundo semestre. Os Leões do Atla não queriam arriscar e perder o que haviam conquistado e os Canarinha esbarraram nas próprias limitações e acabaram sendo salvos por Alisson.
Devido ao 1 a 1, a primeira posição do Grupo C permanece em aberto e obriga os dois favoritos a não hesitarem nos próximos jogos: Marrocos contra a Escócia e Brasil contra o Haiti… onde poderão ter alguns minutos Neymar Jr.



