Como reagirá o público brasileiro sem representação na Fórmula 1?

Mais de quatro décadas assistindo pela T. V. às provas de Fórmula Um, com brasileiros competitivos e equipes às vezes, nem tanto, porém protagonistas. Pilotos como Émmerson Fittipaldi (mais que todos, pois foi inclusive dono, ao lado do irmão Wílson, também piloto), Nélson Piquet, Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Felipe Massa, Christian Fittipaldi, Nelsinho Piquet ajudavam a acertar seus motores e à aerodinâmica. Ficamos “mal acostumados” com “brazucas” no pódium, principalmente no alto. Mesmo com o hiato após o vice- campeonato de Felipe Massa em 2008, nas últimas curvas, eles estavam lá, levando o nome do país e “beliscando” seus pontinhos. Mesmo carente de vitórias, será um pouco mais amargo, ver apenas estrangeiros estourando champanha e recebendo troféus. Um ano passa “voando” e em 2019, a realidade deve voltar a ser a que até então foi. Uma esperança concreta é a de um dos pilotos brasileiros de testes Pietro Neto (de Émmerson) e Sérgio Sete Câmara substituírem alguém da Fórmula 1, mais ao fim da temporada. Ambos devem correr na Fórmula 2. Sette foi destaque na Fórmula 3.

Constatações e conjecturas à parte, como reagirá o público brasileiro? Torcerá pelos pilotos do continente, pelos de melhor currículo, por alguma equipe, assistirá a próxima temporada, aguardando algum brasileiro “temporão” entrar como coadjuvante, aparecendo de surpresa no fim do ano? Vai “migrar” para as outras categorias? Aumentarão a audiência pelo automobilismo nacional (ex- celebridades da F. 1 na Stock Car ou categorias que possam mostrar potenciais talentos para a F. 1?)? Optarão pelo saudosismo do Rali e de Le Mans? Abandonaram o automobilismo, por falta de ídolos?

A emissora que detém os direitos televisivos no Brasil exige e conta com uma providência da Confederação que cuida do automobilismo nacional. Seria um projeto de “fabricação” de novos talentos, passo a passo, com estrutura até a F. 1, sem dependermos de famílias “ricas” que tenham condições e tempo para esperarem o sucesso de seu “pupilo”. Hoje, está praticamente escancarada a “venda de vagas”. O Brasil não tem condições de “entrar nesta”. Talvez, algum brasileiro possa integrar o projeto similar e já “semeado” da federação francesa. Mas a Fórmula 1como evento, atração tem “camisa” no Brasil. O tradicionalista, conservador não vai abrir mão do sofá e da tevê, nos grandes prêmios. Vamos aguardar os grandes prêmios da F. Indy, dos carros de turismo e das competições de “trampolim” para a categoria mais cara. Se a audiência delas aumentar e a da Fórmula 1 diminuir, estarão respondidas as perguntas.

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Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

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