A quem beneficia a pausa no brasileirão?

       Passar tanto tempo na zona do rebaixamento faz a paralização do Campeonato Brasileiro parecer ainda maior aos quatro últimos colocados. Dá tranquilidade a quem está na faixa dos posicionados nas colocações que levariam à Copa Libertadores. O Brasileirão da Série “A”, assim como o da Série “B” (cujos times que se encontram no chamado G- 4 sentem na paralização tranquilidade, o oposto do Z- 4) vivem uma pausa de cerca de 15 dias (dependendo de quem fechou e quem abriu a rodada ou abre, fecha a próxima). Mas esta parada é realmente benéfica a alguém? A quem? Ao Atlético Goianiense serve para aliviar parcialmente a pressão, já que só um milagre pode evitar o rebaixamento do “lanterna”. Para o torcedor do São Paulo é péssimo passar tanto tempo sem o time estar em campo para jogar, tentar vencer e contar com a matemática, para sair da zona indesejável. Mas talvez não seja ruim para o departamento de futebol. O calendário não deixa tempo para treinos. Joga-se domingo, tem jogo quarta, viajem terça, folga na segunda, fora atletas ocupados com tratamentos médicos. Seria a hora de cuidar da parte física, da clínica, de se ensaiarem jogadas, implantarem táticas, o técnico dar o recado estratégico e motivador. Com os Catarinenses não é diferente, bem como para Coritiba, Ponte Preta e os baianos. Na divisão de baixo, Paysandu, Luverdense e Goiás (fora) e de ABC, Náutico, Santa Cruz e Figueirense (Z- 4) vivem situação semelhante. Na extrema oposta, América, Vila Nova, Ceará e principalmente Internacional (assumiu a liderança após campanha de recuperação) gozam a pausa. O Corinthians vive momento de identidade. Líder, mesmo se existisse este desejo, dificilmente perderia o título, paralisa sua trajetória com “gordura” e apesar de dois ou três tropeços recentes, a palavra crise está muito longe da real queda de rendimento. Ano passado, o Palmeiras tinha boa diferença, mas certos jornalistas viam inconsistências que seriam desmentidas pela conquista do troféu de eneacampeão. O Mosqueteiro pode se fiar neste exemplo. Desde que o técnico Carille seja motivador o bastante, para o “já ganhou” realmente não desconcentrar os atletas, o alvinegro só perderá se for para si mesmo. O badalado Grêmio de Luan, melhor do campeonato ao lado de Bruno Silva do Botafogo deve aproveitar para o treinador Renato Gaúcho corrigir a inconstância. Sair da Primeira Liga pode ter diminuído o peso do calendário, já que segue na Copa Libertadores e visa vencer o Brasileiro. O Santos é time leve e não parar seria melhor. O Verdão de São Paulo faz campanha tranquila em busca de vaga no maior torneio continental, mas precisa terminar com excelência a Série “A”, para apagar as críticas à falta de título em 2017. Cuca disse bem: “perguntem aos são-paulinos, se não gostariam estar em nosso lugar”. Ele deve escolher um time titular e um padrão de jogo para o returno, nestas duas semanas. No Flamengo, além do início gradativo das atividades em campo de Conca, Everton Ribeiro e Diego desaceleram assim como Guerrero, vindo de contusão recente. Botafoguenses, surpreendentes nos últimos anos deverão principalmente se recuperar, buscar trabalhos regenerativos, pois o tamanho do elenco não é proporcional ao número de jogos de quem quer a vaga na Copa Libertadores da América, ano que vem via Brasileirão e se possível, o título da mesma, em 2017.

COMPARTILHAR
Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

DEIXE SEU COMENTÁRIO