Ficou a última impressão

Há pouco tempo, sob o título Por Uma Arbitragem Correta, falei da utilização da tecnologia como recurso para confirmar ou retificar a decisão da arbitragem dentro de uma partida de futebol, tal como já vem ocorrendo em outras modalidades esportivas.

Considero que tudo tenha começado lá na natação, para definir a ordem de chegada ao final de cada prova. Até bem pouco tempo (e fora as competições mais importantes essa prática permanece), ficava um fiscal ao pé de cada baliza, controlando, pelo cronômetro manual, o tempo de cada competidor. Depois foi criado um dispositivo eletrônico que indicava o momento em que cada um tocava a borda da piscina. Logo surgiu o tira-teima para bola dentro ou bola fora, não sei precisar se primeiro no tênis ou se no vôlei.  E agora a coisa chega ao futebol, só que nem mesmo com a modernidade das máquinas tem sido possível ser tão preciso e acima de tudo justo, uma vez que há muito mais gente envolvida, tanto no palco quanto na plateia. Por isso, mesmo antes de ser oficialmente adotada, já tem dado muito pano pra manga. Basta observar o que se deu em alguns jogos num curtíssimo espaço de três dias, de domingo até a última terça-feira.

No domingo, um gol legítimo de Jô em favor do Corinthians foi invalidado pelo assistente de arbitragem, Pablo Almeida. Ao final de um lance muito rápido, ele deve ter-se assustado ao ver Jô aparecer sozinho, quase sob o travessão, para empurrar a bola para o fundo do gol. Na terça-feira, a coisa foi ainda pior. Após a partida em que o Internacional derrotou o Goiás por 3 a 0, em Porto Alegre, deparei-me com uma equipe de televisão batendo cabeças, depois de ver e rever os lances capitais do jogo. Para esse, o pênalti fora marcado devido a um empurrão do zagueiro contra o atacante. Já aquele considerava um toque de mão. Em outro lance, quando da marcação de um gol, enquanto um dizia ter visto impedimento, outro afirmava que não. No resumo, tinha-se que nos três gols havia irregularidade.

E olhe que quase me esqueço de falar da confusão havida na semana anterior, quando da partida Santos e Flamengo, em que o árbitro Leandro Vuaden marcou pênalti de Réver sobre Bruno Henrique e de repente voltou atrás. Confesso que não segui os capítulos da novela e não posso precisar por que o mediador central se decidiu por ouvir o quarto árbitro e depois de tê-lo feito foi lá e mandou cobrar escanteio.

Falou-se em interferência externa, que ia além da equipe de arbitragem. O Santos chegou a acusar um repórter, alegando que esse havia passado a informação ao quarto árbitro. Se isso vai render mais alguma coisa, não sei dizer. Mas digo que o que mais achei engraçado foi ouvir o próprio Vuaden afirmar que mudou de opinião porque o colega o chamou e disse algo assim: Olhe, eu estou mais distante que você, mas tive a impressão de que o zagueiro tocou apenas na bola!

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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