O que faltou a Waldir Peres

No domingo (23 de julho), o futebol brasileiro perdeu Waldir Peres de Arruda, o goleiro revelado pela Ponte Preta, lá em 1970, que depois atuou por diversos clubes, principalmente pelo São Paulo. Por cinco anos, foi goleiro da seleção brasileira e o titular de Telê Santana na Copa do Mundo de 1982. Ao encerrar a carreira como atleta, assim como tantos outros, tentou a de técnico. Contudo, aí não se deu tão bem quanto lá entre as traves de um gol.

Como treinador de mais de uma dezena de clubes, nunca passou por um considerado de primeira linha. Nessa relação, Internacional de Limeira, Vitória do Espírito Santo e Uberlândia Esporte Clube talvez tenham sido os mais importantes.

No Uberlândia, Waldir Peres esteve nos primeiros dias de 2006, logo após o que considero ter sido um momento decisivo na história do clube. Foi uma passagem meteórica, que resumi assim, entre as páginas 318 e 319 do livro Uberlândia Esporte Clube ― A História e Seus Personagens:

{Depois de uma reunião do G-7 com o prefeito, tudo ficou resolvido e Everton concorreu às eleições. A sua diretoria assumiu “oficiosamente” no dia 2 de janeiro de 2006, mas legalmente só no dia 10. Aquele tempo era necessário para a publicação do edital e o cumprimento do prazo. E já no dia 2, apresentava-se Waldir Peres, ex-goleiro do São Paulo e da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982, como o técnico para aquela temporada. No dia 12 fez-se um jogo-treino, com um combinado de Araxá, cujo placar foi 0 a 0.

Depois, o time foi para Belo Horizonte e treinou no Sesi por uma semana inteira. Era a preparação para o Torneio Início (reinvenção daquele ano), como também para o campeonato. O Ipatinga foi o seu primeiro adversário num e noutro evento. No dia 15 de janeiro de 2006, pelo Torneio Início, que mostrou o Democrata de Sete Lagoas como campeão, foi 1 a 0 para o Ipatinga. No dia 22, já começando o campeonato, o time do Vale do Aço, que jogou em casa, aumentou a dose: 3 a 0. A primeira formação do Uberlândia naquele campeonato foi Rogério, Jaiminho, Enio, Victor e Walax; Daniel, Tobby, André (Henry) e Safira; Elton e Leandro (Bispo). Elivelton ― ex-São Paulo, Corinthians e Cruzeiro ― já estava contratado, mas ainda não tinha condição de jogo.

O segundo jogo foi em casa, com vitória de 2 a 1 contra a URT e gols de Elivelton e Elton. Depois, uma derrota para o Ituiutaba por 3 a 0, mesmo sendo lá, provocou a dispensa de cinco jogadores de uma só vez e a contratação do zagueiro Valdir Souza. Mas ao perder em casa por 1 a 0 para a Caldense, quem caiu foi o técnico Waldir Peres. Roberto Palmiere, outro ex-goleiro, que havia atuado por Botafogo de Ribeirão Preto, Bangu e Botafogo do Rio entrou em seu lugar.

A partida seguinte foi contra o Democrata de Sete Lagoas, no Parque do Sabiá. Mesmo com novo técnico e time modificado, derrota de 4 a 1. Com o outro Democrata, em Valadares, deu-se a quinta derrota em seis partidas realizadas: 2 a 1. O time já era o penúltimo colocado. No dia seguinte, houve oito dispensas. No jogo a seguir, com o Cruzeiro, em Belo Horizonte, mais uma derrota: 2 a 0. Só mesmo após a oitava partida, 1 a 0 sobre o Guarany, no Parque do Sabiá, o Correio de Uberlândia estampava a manchete: VERDÃO VENCE E DEIXA A ZONA DE REBAIXAMENTO. Ele tinha então 6 pontos, contra 5 do Democrata de Valadares e 2 da URT.}

O que vem exposto acima demonstra que o problema não era o técnico, mas o time. Talvez lhe tenha faltado, não apenas ali, mas durante toda a sua trajetória como treinador, a mesma sorte que não tiveram ele e todos que integraram aquela que considero a melhor seleção brasileira de todos os tempos, que apesar de ter encantado o mundo não conquistou a Copa do Mundo disputada na Espanha.

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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