Batendo na mesma tecla

Não vou me alongar sobre o tema, até porque já tratei disso no dia primeiro de novembro de 2016, sob o título Cinismo Por Civismo. Porém não posso deixar de falar sobre o que considero o agravamento da coisa, a ponto de justificar o que lá no final vou sugerir.

Nessa última quarta-feira (19 de julho), a TV Globo abriu a transmissão de uma partida que seria realizada no Estádio Luso-Brasileiro (que aqueles que sempre arranjam um nome fantasia para cada campo insistem em chamar de Ilha do Urubu) no momento em que se executava o Hino Nacional. O locutor disse apenas algo como “nesse instante, executa-se o Hino Nacional” e depois se calou, como se quisesse observar o que se passava, enquanto as câmeras passeavam pelas arquibancadas lotadas, onde em vez de entoar os versos de Joaquim Osório Duque Estrada, as torcidas cantavam coisas que elas mesmas criam, ora para incentivar o time do coração, ora para ofender os adversários, quando não para provocar confusão. Quem assistia à televisão só pôde ouvir um trechinho do hino quando foi acionada a câmera postada junto às equipes que então estavam perfiladas no gramado.

Então, pergunto: que demonstração de civismo e amor à pátria se podia ver ali? Aquilo era uma reverência ao Brasil e a tudo de bom que esse possui, assim como o futebol que, todavia, anda precisando de um polimento?

Penso que não. E cada vez mais, entendo que o Hino Nacional não deve ser cantado ou executado em qualquer ocasião, mas apenas nas especiais. No esporte, notadamente no futebol, apenas quando estiver envolvida uma equipe que esteja representando o país. E mais ainda: que deve cessar a obrigatoriedade imposta aqui e acolá, com tudo sendo referendado, um dia, por uma lei federal. E o que peço é que quem criou essa lei a revogue. Ou então, que na terra onde tantas leis até mais importantes são desrespeitadas a toda hora, que esta também seja. Esta será a forma de mostrar respeito por um dos símbolos nacionais. Melhor ignorá-lo que expô-lo ao ridículo.

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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