Antes só que mal acompanhado

O que se diz é que a Fifa está fazendo uma experiência. Se funcionar, adota, a partir da próxima Copa do Mundo.

E a tecnologia é usada para analisar os lances mais complicados de uma partida de futebol, ajudando a arbitragem no momento de tomar uma decisão a favor deste ou daquele, assim como o vôlei tem feito com o que por aqui chamamos de desafio, que consiste no aproveitamento da imagem gerada por um conjunto de câmeras e que pode atestar se alguém esbarrou na rede, se houve invasão, desvio no adversário ou se foi bola dentro ou bola fora. Penso que citei todos os casos sujeitos ao “olho mágico” nessa modalidade. Agora, no futebol, esse mágico já começou tirando outro bicho da cartola, quando o normal seria sair um coelho. E até já andaram trocando gato por lebre.

Nem vou me alongar, mas apenas falar do que vi em uma partida que envolvia a seleção chilena, na qual a comissão de arbitragem, que fica lá no alto, em uma cabine equipada com todos os recursos usados pela televisão, meteu os pés pelas mãos em dois lances capitais. O primeiro deles, um gol chileno invalidado porque consideraram que o atacante se achava em posição de impedimento. Os quatro ou cinco árbitros de categoria internacional (entre eles um brasileiro) suspeitaram de irregularidade no lance e avisaram àquele que apitava que iriam verificar. E invalidaram o gol, quando na verdade apenas parte do braço esquerdo do chileno podia ser notada um pouquinho à frente do penúltimo defensor. E no futebol, só não vale tocar com a mão e o braço. Por isso, mão e braço não entram em impedimento. Já no segundo tempo, os mesmos fiscais privilegiados validaram um gol do mesmo Chile, por não perceberem o impedimento do atacante, que a imagem parada denunciava claramente.

E para encurtar o fim da história, lembro o que houve quando da marcação de um pênalti na partida entre Camarões e Austrália. O árbitro assinalou a falta máxima, mas como quem não tinha tanta certeza do que fazia, quis dar uma olhada nas imagens captadas pelas câmeras. Foi mais ou menos como no programa de Silvio Santos, que nem sei se mantém esse quadro em que o convidado que responde às perguntas pede a ajuda dos universitários. E consultando, viu que estava certo. Só que na hora de expulsar o infrator, trocou Chico por Mané e os lá de cima tiveram que dar o grito:

― Espere aí, meu! O cara não é esse aí, é aquele lá!

Confesso que não achei qualquer graça no brinquedinho da moçada. Se for para ficar a mínima dúvida, que deixem como estava. O erro de um juiz pode ser perdoado, mas o de um colegiado, com todos aqueles recursos, não.

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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