O melhor é esperar pela festa

Até parece que foi ontem, pois a lembrança ainda é bem viva e cada um consegue mais que imaginar. Chega a ver os nossos jogadores correndo pouco e muito desencontrados, deixando o então grande favorito inteiramente dominado pelos alemães, em pleno Mineirão, apanhando feio e jogando pela janela o tão cultivado sonho do hexa. E a impressão de que tudo aconteceu ontem se reforça quando constatamos que muita coisa que era para a Copa do Brasil, como as linhas do Veículo Leve Sobre Trilhos, de Cuiabá e Recife, ainda está por terminar.

Mas a realidade bate à porta quando na distante terra dos antigos e poderosos czares dão a nova largada, com a realização da Copa das Confederações ― sem o Brasil, que depois do apagão no Mineirão, não se reacendeu na Copa América. Além disso, aquela vinheta que se fez tão famosa quanto repetitiva já começa a ser ouvida, mesmo que discretamente e com a letra no idioma russo: tan tan tantan tantantantantantan! E lá no finalzinho, a gente tem a impressão de ouvir: é taça na raça, Brasil!

Dos guerreiros de então, restam poucos, liderados por quem ainda preserva a fama de grande craque por fazer parte de um dos mais caros e completos elencos do futebol mundial. Uns tantos nem andam mais na boca dos incansáveis e fanáticos torcedores que se enchem de entusiasmo, sempre que as cortinas se reabrem, mas com a mesma facilidade crucificam aqueles que erram o texto na hora da encenação.

Como aquele que parece ter caído no esquecimento, o novo comandante deve gostar de chimarrão, pois vem lá das mesmas plagas. Ao contrário dele, que quando atleta era zagueiro, esse jogava um pouco mais adiantado, como volante. Agora se vê transformado em armador ― não das jogadas, mas de uma equipe inteira que tenta fazer capaz de reconquistar a confiança de uma nação que se diz acostumada às grandes conquistas. E todo mundo começa a se balançar, mesmo que a letra não possa ser entendida e aquilo nem lembre uma marchinha das nossas. E sonha que está indo de gol em gol. E diz, com orgulho: é do jeito que eu sei!

Isso me faz lembrar o que ouvi certo dia de minha avó Benedita, mulher de pouca instrução formal, mas verdadeiramente sábia. Ela contou sobre alguém que ouviu um vozerio vindo lá da estrada e logo notou que por ali passava um animado grupo de pessoas, falando alto e rindo muito. Ao que perguntou para onde aquela gente estava indo, ouviu, como se em coro:

― Nós vamos para a festa!!!

No dia seguinte, por simples acaso, viu aquelas pessoas que vinham se arrastando na direção oposta. E perguntando de onde vinham, ouviu de uma voz solitária:

― Da fessstaa!…

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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