Categorias de base – Formação de atletas

Inúmeras vezes ouvi falar que as categorias de base do Uberlândia Esporte Clube não “servem para nada”, e que é melhor fechar e empreender esforços no time profissional. Essa “máxima” é dita pela imprensa, torcedores e até algumas pessoas diretamente ligadas ao Clube.

A categoria de base de um Clube é fator primordial para a sua subsistência e até sobrevivência, se for dirigida com planejamento e seus profissionais forem voltados para a formação do atleta profissional de futebol.

A formação hoje exige uma visão interdisciplinar, com todos os departamentos trabalhando juntos e compartilhando as informações. Com isso, comissão técnica, fisiologia, preparação física, nutrição, psicologia, departamento médico e fisioterapia, cada qual em sua especialidade, tem que ter uma visão única e um fator determinante: utilizar o que de mais moderno existe no futebol atual para que o atleta possa se desenvolver, preparando-o para desempenhar seu papel quando atingir a equipe profissional. É necessário também que haja uma transição bem feita, com pessoas interligadas ao departamento de futebol profissional, e o atleta quando atingir determinado patamar e idade, já ir se aclimatando e se preparando para fazer parte do grupo de cima.

O Uberlândia Esporte Clube, profissionalizando sua categoria de base, pode muito bem revelar jogadores e coloca-los em seu time principal, ou, vende-los e conseguir assim aumentar seu orçamento para contratações na equipe profissional. O Bruno Henrique é um exemplo, pois sem ser formado no Clube, passou alguns anos do término de sua formação no Clube e o UEC recebeu parte da cláusula de solidariedade que certamente serviu para reforçar os cofres para contratações.

Digo isso quando vejo a notícia da venda do zagueiro Victor Lindelof do Benfica para o Manchester United em uma transação de 35 milhões de euros (R$ 129 milhões de reais). O defensor de 22 anos foi revelado pelo pequeno Vasteras, jogou uma temporada no segundo time e 03 temporadas no time de cima, que disputa a terceira divisão do campeonato sueco.

Devido à cláusula de solidariedade, o Vasteras receberá 3,5 milhões de euros (12,9 milhões de reais). Em dificuldades financeiras, e ainda na terceira Divisão o time vê esse dinheiro como a chance de reviver seus melhores dias, pois esteve muito perto de fechar as portas. Um único jogador revelado no Clube, somente com a cláusula de solidariedade (no máximo 5% do valor da venda) será a redenção deste pequeno Clube sueco.

A categoria de base trabalhada de forma profissional, com intuito de formar o atleta profissional de futebol, utilizando-se de profissionais competentes e do que há de mais moderno nas várias áreas de atuação dentro do Clube, pode ser a principal fonte de arrecadação de um Clube do interior. Formam-se jogadores para utilização no elenco, para negociação no mercado interno e no mercado externo, que pode ser para pequenos e médios clubes do segundo escalão europeu, ou até um canal direto com Clubes de primeira linha da Europa. A notícia no futebol anda longe, e quando se tem uma base que começa a revelar jogadores, que tenha o Certificado de Clube Formador da CBF o Clube passa a ser monitorado pelos Clubes locais e estrangeiros. Portanto, a base serve para muito no Clube, é só saber como formatá-la para revelar talentos. Se for somente para mostrar que existe base no Clube, realmente é melhor fechá-la.

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Fernando Luis Pereira Lima
FERNANDO LUIS PEREIRA LIMA , Bacharel em Direito pela UFU, com Pós Graduação em Direito Civil também pela UFU e Direito Desportivo, Gestão Esportiva e Marketing pela Trevisan Escola de Negócios SP, Ex-Diretor das Categorias de base do Uberlândia Esporte Clube e elaborador de diversos projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte Federal, para o UEC, Palmeiras SP, USP e Associação Saque de Ouro - Marcelo Negrão.

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