Sobre as estratégias de jogo

No mundo dos esportes, há inúmeras estratégias que podem levar à vitória ou pelo menos a superar uma dificuldade de momento. No vôlei, por exemplo, a gente vê o técnico pedir tempo apenas para quebrar o ritmo de um sacador que esteja levando o time adversário a somar seguidos pontos. Mas há também as que não me convencem.

Uma é aquela que todo técnico de basquete usa, mas, mesmo havendo tal unanimidade, ainda fico pensando: será que estão mesmo certos? E aí me lembro do que dizia Nelson Rodrigues, sobre toda unanimidade ser burra. Mais que isso, sempre me questiono: mas espere aí!… Se o negócio é evitar que o adversário chegue a mais uma cesta, por que então dar a ele a oportunidade de fazer dois arremessos livres, assim bem de pertinho, ali da cabeça do garrafão, sem ninguém a marcar o chutador?

Mas os “professores” devem saber o que fazem, senão alguém já teria desistido dessa teimosia que quase sempre leva o último minuto de uma partida decisiva a durar quase uma eternidade. Mesmo assim, sobra-me outra pergunta: não seria melhor deixar aquele cara fazer logo os tais pontos e correr atrás para descontar, numa jogada rápida, bem ensaiada a cada dia? E antes disso, não seria melhor cercar os seus atletas, por todos os lados, e treinar os de cá para a roubada de bola? Ora! Cercando e tomando a bola, esse time evitaria levar dois pontos e poderia ampliar a contagem a seu favor! Mas, não. Os “mestres” insistem na mesmice que quase mata o torcedor de aflição e um simples observador, de tédio.

Outra coisa: e aqueles rabiscos que os treinadores fazem na prancheta e que muitas vezes são refeitos tão logo traçados? Será que cada jogador guarda na memória o que lhe cabe fazer e o que fará o seu colega?

Penso que quase nada se aproveita. Aliás, há pouco tempo ouvi de um atleta, que então era entrevistado na televisão, que aquilo ajuda muito pouco, quase nada; que a turma não decora a lição. E tal fato fez lembrar um momento conhecido do futebol, envolvendo o extraordinário ponta-direita Garrincha. Aliás, desse muita coisa se contou ― para mim, invenções de corneteiros, como aquela tão comentada declaração de um atleta que, ao desembarcar para jogar em Belém do Pará, teria falado da alegria de poder jogar na terra em que Jesus nasceu. Nesse caso, já atribuíram a fala a Dario, mais recentemente a Jardel e até outros. Mas no que aqui cabe a Garrincha, contam que certa vez o treinador traçava o seu plano de ataque para a próxima partida, usando o quadro negro. E ele dizia e mostrava ali o que cada um deveria fazer, mais ou menos assim: você lança aqui; fulano toca pra lá, fazendo a bola passar sobre a cabeça do volante, e quando o lateral correr pra cá, Garrincha dribla e cruza para aquele ali marcar de cabeça. Tá certo?

E Garrincha teria perguntado:

― Professor, o senhor já combinou isso com os adversários também?

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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