Copa das Confederações: “Barrados no Baile”

Em 1980 era realizado o “Mundialito” de futebol, no Uruguai. A Expressão em espanhol diz respeito a “pequeno mundial”, já que apenas os seis vencedores de Copa do Mundo estariam envolvidos. O número foi mantido, mas a Holanda, então “bi-vice” fora convidada para substituir a Inglaterra, desistente. Era repetido o “Maracanazo” e o mesmo 2 x 1 dava o título à Celeste Olímpica, de Rubén Paz e De León. Há rumores de que em 2030, no mesmo país poderá ser realizada novamente a competição em comemoração ao centenário do primeiro mundial, já que aquele “mundialito” comemorava meio século de copas.

Desde os anos 90 é disputada a Copa das Confederações, cuja edição inaugural fora um simples quadrangular. Atualmente, seguindo certa lógica, é disputada pelos campeões das confederações continentais, o último campeão mundial e o país-sede. Na verdade é quase explícito que a motivação desta realização nada mais seja que dar publicidade à próxima Copa do Mundo e uma maneira de se venderem mais ingressos e produtos alusivos. Vai começar no solo russo o “aperitivo” de seu Mundial inédito e os atletas da seleção Brasileira, detentora de quatro conquistas são “barrados neste baile”. Não preencheram nenhum dos requisitos para a obtenção das entradas à “seleta festa”, mas se serve como consolo, para o “baile de gala” da “Rússia 2018”, aí estão garantidos de forma antecipada. Com Neymar brilhante, o Brasil “sobrou” na edição passada em casa, não tomando conhecimento da Itália e “humilhando” a Espanha. Ou melhor, “humilhando, não”, conheceriam meses mais tarde diante da Alemanha e da Holanda, na Brasil 2014, o doloroso sentido deste gerúndio. A plateia nacional aplaudira à simpática seleção do Taiti, num misto de camaradagem e solidariedade pelas derrotas por seis, oito e dez gols (inclusive palmas para o primeiro gol da equipe de amadores em um torneio oficial, em inédita apresentação fora da Oceania). O que não se sabia é que os profissionais “canarinhos” sofreriam placar semelhante no próprio território, no mais importante dos torneios e do qual somos os maiores ganhadores.

Mas a Rússia não tem nada a ver com isso e lutou muito pelo direito de sediar a Copa de 2018. Então vem se preparando para isto, bem como para conquistar sua melhor colocação no evento. Quem sabe ser semifinalista, com a hoje pobre seleção, tecnicamente falando. O Chile, campeão da América do Sul e da Copa América do Centenário tem boas chances de levantar o troféu intercontinental pela primeira vez. O México traz o experiente Juan Carlos Osorio, ex São Paulo, com o agora recordista de gols vestindo a camisa nacional, Javier “Chicharito” Hernández Balcázar. Portugal, do campeão europeu Cristiano Ronaldo, “corre por fora”. A equipe alemã virá renovada, com poucos envolvidos nos “7 x 1”, porém com o favoritismo natural de campeã mundial.

A festa de abertura terá os anfitriões enfrentando os neozelandeses, no próximo sábado, ao meio-dia, em São Petersburgo, na novíssima Zenit Arena (Estádio Kretovzky). No domingo, dia 18, dois jogos: Portugal x México, em Kazan e Camarões x Chile, em Moscou (Otkrytie/ Spartak). A primeira rodada se encerrará na segunda-feira com Austrália x Alemanha, no estádio Olímpico de Sochi. Será um torneio de bons jogos, para brasileiro ver sem tensão. Uns torcendo contra a Alemanha; outros, a favor, para não nos diminuirmos ainda mais. Alguns serão indiferentes e há o grupo que torcerá pelos vizinhos do continente. Talvez a maior parte queira que o melhor vença, mas entendo que grande parte vá torcer contra os grandes e aí, Nova Zelândia, Austrália e Camarões nesta ordem, teriam a preferência.

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Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

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