Equipe B – Importante para os grandes, pesadelo para os pequenos

Acompanhando as últimas notícias do futebol mineiro, verifiquei que o Atlético MG inscreveu um time “B” na Segunda divisão do campeonato mineiro, que na realidade é a terceirona. Utilizando-se basicamente de jogadores que encontram-se parados, tanto recém saídos dos juniores como aqueles do elenco que não estão sendo utilizados.

No Rio Grande do Sul a dupla Gre-Nal depois de anos disputando a “copinha” com seus times B, inscreveu-os no campeonato gaúcho de 2017, também na terceirona. Lá o campeonato está em andamento, a primeira fase acabou recentemente e como era de se esperar, os dois times da capital terminaram em primeiro lugar de seus respectivos grupos, classificados para a segunda fase.

Uma alternativa que se tornou viável para os Clubes, que tem um plantel sempre muito maior do que as possibilidades de todos esses jogadores atuarem pelos campeonatos com o time principal.

A pergunta é: o que isso muda para os pequenos Clubes? E a resposta de imediato: tudo!!

O grande Clube tem estrutura e dinheiro de sobra para sempre ter um elenco que estará superior física e tecnicamente aos Clubes do interior e os pequenos das capitais, mesmo com seu time B. No Brasil, o futebol é diferente dos outros lugares, e temos os campeonatos Estaduais e o Brasileiro em suas várias séries. O que ocorre é que a participação de Atlético MG, Internacional e Grêmio, acaba por deixar de lado o acesso de um ou dois Clubes dentre aqueles que realmente se esforçaram e fizeram milagre com o dinheiro no interior para tentar alcançar o acesso. No caso do Rio Grande do Sul tudo ainda fica mais terrível, pois sobem dois times para a segunda divisão (divisão de acesso) e a julgar pela diferença de pontos na primeira fase (Inter 38, Grêmio 31 e os melhores depois dos dois, Três Passos e Bagé 22 pontos)subirão os dois times “B” da capital, tornando um ano perdido para Clubes que dependem da competição para existir.

Com relação ao Atlético MG, notícias vindas da imprensa de Belo Horizonte dão conta que o projeto é disputar o campeonato brasileiro, chegando até a Série B, último degrau que pode  subir devido ao regulamento. Como as vagas para a Série D são distribuídas no campeonato Mineiro da Primeira Divisão – Módulo I, ao qual o time B não poderá ter acesso por já contar com o time principal, estuda-se o retorno da Taça Minas Gerais para 2018, com o campeão e o Vice tendo direito a uma vaga na Copa do Brasil e outro à vaga na Série D, driblando assim a necessidade de disputar o Módulo I para se conseguir a vaga para a Série D. Explico: Como o Atlético B não poderá disputar a Copa do Brasil por ter seu time principal nesta competição, a simples presença na final já garantiria a vaga na Série D ao seu time B.

Indiscutivelmente o nível técnico e físico de atletas dos times grandes, mesmo sendo a equipe B, está em um patamar muito superior aos times pequenos do interior e da capital, fazendo com que os mesmos fiquem pelo caminho, e na pior das hipóteses, no caso mineiro, restando 1 vaga para o acesso.

Não há até o momento um pensamento de como resolver essa situação, e os Clubes tidos como pequenos, que seriam aqueles que deveriam ter maior proteção das federações e da CBF são aqueles que menos podem e menos falam. E com isso, tradicionais equipes do interior vão ficando pelo caminho, encerrando suas atividades ou vivendo no amadorismo.

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Fernando Luis Pereira Lima
FERNANDO LUIS PEREIRA LIMA , Bacharel em Direito pela UFU, com Pós Graduação em Direito Civil também pela UFU e Direito Desportivo, Gestão Esportiva e Marketing pela Trevisan Escola de Negócios SP, Ex-Diretor das Categorias de base do Uberlândia Esporte Clube e elaborador de diversos projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte Federal, para o UEC, Palmeiras SP, USP e Associação Saque de Ouro - Marcelo Negrão.

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