35 anos do oitavo maior estádio do Brasil

O fim do mês marca o 35º aniversário do estádio Parque do Sabiá, inaugurado em 27 de maio de 1982. Paulo Roberto Falcão marcava o primeiro gol, neste belo gramado. Um golaço, no ângulo das traves à esquerda das cabines de imprensa. Para ficar bem marcado o feito histórico, foi o único do primeiro tempo. Meia dúzia de vezes na segunda etapa, a bola transpôs a linha de meta irlandesa. Sócrates e Serginho, duas vezes cada, Zico (talvez em sua melhor partida com a camisa da Seleção Brasileira) e Luizinho preencheram a artilharia da primeira súmula. Mas que ninguém pense que o goleiro britânico Jim Macdonagh não tenha trabalhado bem. Daquele time de Telê Santana, Sócrates e Dirceu não mais estão entre nós. Foram adquiridos 72.733 ingressos para o espetáculo. O evento daquela noite de quarta-feira contou com a presença do último presidente da ditadura militar, general João Baptista de Oliveira Figueiredo. A partida marcava a despedida da equipe amarelinha para a Copa da Espanha e o árbitro foi Romualdo Arpi Filho, que quatro anos depois apitaria na final da Copa do México.  O palco aniversariante ainda receberia a seleção “Canarinho” em um jogo oficial. Seria no ano seguinte, dia dez de outubro, pelas semifinais da Copa América: 0 x 0 com o Paraguai, para 48 mil, 422 expectadores. Um sorteio mandaria o Brasil para a decisão, que perderia em Salvador e em Montevidéu. O Brasil de Parreira, com Jorginho, Éder, Renato Gaúcho e Careca não seria páreo para o Uruguai, de Rodolfo Rodríguez e Francéscoli, diante de quase cem mil pessoas, na Fonte Nova. Em 1987, as fortes chuvas prejudicaram a presença de público e apenas 14 mil, 604 pessoas pagaram para Brasil 2 x 1 Chile, de virada (Martinez, no primeiro tempo, Valdo e Renato “Pé Murcho”, no segundo). Vários outros aniversários desta praça esportiva contaram com eventos comemorativos. Entre eles, Brasil 3 x 0 Bulgária, 1991 (gols de João Paulo- driblando toda a defesa e Neto duas vezes, em atuação de gala da dupla) cujo público estimado teria sido de 60 mil pessoas, mas para o administrador do espaço, José Flamengo, 103 mil, em um estádio com a capacidade para 75 mil, antes da mudança na lei. O Parque seria também palco da Seleção Brasileira de Novos (inclusive em amistoso contra o Uberlândia: 1 x 1) e do Torneio Sul-Americano de Futebol feminino.

Com a camisa do Uberlândia Esporte Clube, Maurinho marcou o primeiro gol de um clube, no Parque. Foi na goleada de  4 x 0 sobre o Santos, de Paulinho Batistote, Palhinha e Nílson Dias. Luís Carlos, Brasinha e Nenê Ramos anotariam os outros gols. Moacir, Chiquinho, Maurinho, Vivinho, Batista e Zecão (alguns, já falecidos) seriam campeões brasileiros da Copa CBF (hoje: Brasileirão da Série “B”), dois anos mais tarde. Para ter direito a esta disputa, o Periquito foi Campeão do Interior, pela terceira vez, em 1983. Desde a era “pré-Parque” era impensável uma queda da primeira divisão mineira, mas aconteceria e se repetiria. O Verdão conquistaria o título para o acesso e uma Taça Minas Gerais, seria vice-campeão do Módulo Azul 1987 (hoje: Brasileirão da Série “C”), novamente semifinalista desta competição (1994) e vice-campeão de competição correspondente, em 2000.

O “Sabiá”, segundo estádio de Minas Gerais e oitavo do país, seria o 13º das Américas e de acordo com o “site” da Prefeitura Municipal, “93º do mundo. Nosso estádio fora alugado ainda para eventos envolvendo outros clubes para jogos de campeonatos regionais, nacionais, internacionais e torneios diversos. Roberto Carlos soltaria a voz neste gigante assim como a banda norueguesa A-ha. O sonho que nasceu nos anos 70 se tornou real em pouco tempo para tantas emoções em sua história.

COMPARTILHAR
Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

DEIXE SEU COMENTÁRIO