O time mais odiado da Alemanha

O título deste artigo de hoje reflete bem qual o pensamento impera no futebol mundial. Ao contrário do que pensam muitos, não é só no Brasil que a competência, planejamento e foco na gestão incomoda, e para alguns, até faz mal.

O Red Bull Leipzig da cidade alemã do mesmo nome é considerado o time mais odiado do País. O motivo: é um Clube empresa, que possui planejamento, subiu da quinta divisão do campeonato alemão para a primeira divisão (Bundesliga) em tempo recorde e nesta temporada, contrariando todas as previsões alcançou o segundo lugar, sendo vice campeão em um campeonato que o Campeão já é conhecido antes mesmo de começar, dado à disparidade do Bayern de Munich sobre os outros Clubes.

O RB Leipzig movimentou a economia e a cidade de nome homônimo, um lugar esquecido da antiga Alemanha Oriental cujos dois principais times amargam a quinta divisão. Passou a utilizar o Estádio da cidade, reformado para a Copa do Mundo de 2006 e até então, tido como “elefante branco”. Trouxe a oportunidade de lazer e afirmação para uma população extremamente carente de opções.

Mesmo assim, as torcidas dos outros times alemães não o respeitam e até algumas diretorias: em jogos na casa do RB Leipzig as grandes torcidas dos times alemães não comparecem, boicotando seu próprio time. Em Dortmund, o início do jogo teve que ser adiado, porque a torcida do Borussia Dortmund deitou na estrada que dava acesso ao Estádio do jogo, impedindo o ônibus dos visitantes de chegarem ao Estádio. Torcedores do RB Leipzig que viajam para ver os jogos de seu time são ameaçados por torcedores rivais.

Alegam para esse tipo de tratamento que o RB Leipizg é um time sem identidade, sem alma e vendido por dinheiro.

É óbvio que o dinheiro facilita bastante a vida do Clube, porém sem um planejamento e principalmente pessoas competentes para gerir o dinheiro, ele não teria sido vice campeão da Bundesliga e classificado para a fase de grupos da UEFA Champions League 2017/2018. E isso com um grupo de jogadores jovens, que custa o valor de 1 ou 2 jogadores do Bayern de Munich ou do Borussia Dortmund. Competência que o Wolfsburg, bancado pela Volkswagen não teve, ficando em antepenúltimo lugar no campeonato e tendo que disputar os play offs para permanecer na Primeira divisão, mesmo com a “enxurrada” de dinheiro da montadora de automóveis alemã.

Os torcedores e a opinião pública não se importam que o Bayern Munich gaste milhões de Euros todos os anos para comprar as revelações dos seus adversários, reforçando-se cada dia mais e enfraquecendo seus rivais, e nem pelos patrocínios milionários e participações acionárias de grandes empresas no Clube, que são quem realmente fazem o Bayern ser grande.

Mas contra o “pequeno” e sem identidade RB Leipzig é diferente. Sofrem todo tipo de hostilidade por serem competentes, por dar vida a um Estádio que estava praticamente abandonado e por levar opção de lazer e orgulho para uma região que sempre esteve relegada ao fracasso desde a queda do muro em 1989.

Meu velho pai sempre diz: “quem não tem competência não se estabeleça”. Pelo visto, quem tem competência, mas não faz parte do ideal no imaginário dos torcedores de futebol pelo mundo afora, também não podem.

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Fernando Luis Pereira Lima
FERNANDO LUIS PEREIRA LIMA , Bacharel em Direito pela UFU, com Pós Graduação em Direito Civil também pela UFU e Direito Desportivo, Gestão Esportiva e Marketing pela Trevisan Escola de Negócios SP, Ex-Diretor das Categorias de base do Uberlândia Esporte Clube e elaborador de diversos projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte Federal, para o UEC, Palmeiras SP, USP e Associação Saque de Ouro - Marcelo Negrão.

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