Campeão com planejamento

O Título de Campeão Gaúcho 2017 conquistado pelo Novo Hamburgo no último domingo levantou a questão do time do interior que desbanca os grandes da capital e conquista o campeonato. O Novo Hamburgo monta bons times anos seguidos, e desta feita foi coroado com o mais alto degrau do campeonato gaúcho.

Assim como o Novo Hamburgo tivemos campeões estaduais que vieram do interior, como a Caldense em MG, Ituano em SP e Crac de Catalão e Itumbiara em GO.

Porém, a grande maioria destes campeonatos foram conquistados devido a um excelente trabalho que deu “liga” durante um ano e depois não houve seguimento retornando o título nos anos seguintes para os grandes da capital.

Acredito que o Clube de futebol do interior que queira ser vencedor, deve seguir o exemplo da Chapecoense, que tem um planejamento estratégico para vários anos, aprovado pelo Conselho Deliberativo, que não é só o avalista das decisões, mas também fiscaliza o que está sendo aplicado e executado.

Para comprovar essa assertiva, podemos analisar os últimos 10 anos da Chapecoense, quando o atual grupo de dirigentes assumiu e iniciou o planejamento: 04 títulos estaduais, 02 vice campeonatos estaduais, 1 Copa de Santa Catarina, 1 copa sulamericana, 03 acessos no campeonato brasileiro e permanência pelo quarto ano seguido em 2017 na Série A do campeonato brasileiro sem sustos. Nem uma tragédia das proporções que ocorreu com o Clube em novembro de 2016 foi capaz de alterar o planejamento já delineado pelos dirigentes. A remontagem do time para 2017, praticamente do zero, foi feita utilizando-se os mesmos critérios até então, e a equipe, apenas 04 meses depois de montada, levantou o bicampeonato catarinense.

Erros durante essa caminhada tiveram, e foram vários, porém a Chapecoense soube fazer a correção da rota no momento certo, e continuar seguindo seu caminho de vitórias.

Para o Clube do interior que queira não só conquistar um campeonato estadual e acessos no campeonato brasileiro sem o efeito gangorra, nada melhor do que verificar o que vem sendo feito em Chapecó, adaptar para seu padrão atual e implementá-lo. É um projeto a longo prazo, sujeito a alguns insucessos, como eles tiveram a perda do acesso à Série B para o Ituiutaba Esporte Clube, mas seguiram firmes, aprenderam com os erros e subiram no ano seguinte.

Caso contrário, continuaremos a ver esporadicamente um clube do interior ganhar um campeonato estadual, talvez de 20 em 20 anos, como ocorre atualmente. Contra números não há argumentos. Saber utilizar com sabedoria cada centavo dos poucos recursos que tem, é o primeiro passo para valorizar o orçamento quando ele for aumentando de acordo com os acessos do time, como a Chapecoense fez, quando passou de um orçamento de 70 mil reais em 2007 para 40 milhões de reais em 2016.

O caminho é pé no chão, seguir o planejamento à risca, gastar somente o que tem em caixa, honrando os pagamentos não só com atletas e comissão técnica como também com a comunidade e por onde passa ao jogar, ter no seu departamento de futebol profissionais que utilizem o máximo de seu potencial para garantir, sem vaidades, chegar à meta proposta. Saber que no caminho traçado pode haver obstáculos, que serão contornados e não desmanchar o que foi planejado a cada insucesso. Aprender com os erros e seguir em frente. Essa é a receita para que as finais e os títulos fiquem cada dia mais frequentes na vida de um Clube do interior.

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Fernando Luis Pereira Lima
FERNANDO LUIS PEREIRA LIMA , Bacharel em Direito pela UFU, com Pós Graduação em Direito Civil também pela UFU e Direito Desportivo, Gestão Esportiva e Marketing pela Trevisan Escola de Negócios SP, Ex-Diretor das Categorias de base do Uberlândia Esporte Clube e elaborador de diversos projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte Federal, para o UEC, Palmeiras SP, USP e Associação Saque de Ouro - Marcelo Negrão.

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