Categorias de base – Investimento necessário

           Assisti a uma das semifinais da Liga Europa, de um lado o AJAX AMSTERDAM, fora do circuito principal do futebol desde a década de 90. De outro lado LYON, que recentemente foi várias vezes campeão francês, mas que atualmente não tem um time de ponta. O que me surpreendeu logo de início, foi a juventude e a pluralidade do time do Ajax. Jogadores de todas as partes do Mundo, sua grande maioria abaixo dos 23 anos, que praticaram um futebol de excelência, impondo-se por 4×1 frente ao adversário. Destaque para o atacante Younes, Alemão de descendência árabe, 22 anos, o também atacante Dolberg, Dinamarquês, 19 anos, o meia atacante Traoré, Burkina Faso, 21 anos e  Onana, goleiro, Camaronês, 21 anos, sem falar no meio campo Klujivert, de 18 anos, cuja descendência não deixa dúvidas quanto à qualidade.

O Ajax sempre revelou grandes jogadores, mesmo nas fases de decadência, em que não passava na primeira fase da Champions League e Liga Europa. Foi assim com Blind, Winter, Frank de Boer, Denis Begkamp, Van der Saar, Reiziger, Davids, Seedorf, Rijkaard e Litmanen, na Década de 90 e De Jong, Vertonghen e Daley Blind nos anos 2000.

O Departamento de base do clube holandês sempre fornece o melhor “pé de obra” para o futebol europeu, devido ao seu extremo profissionalismo e sua força na formação de atletas. Tradição que gera talentos que gera desejo de fazer parte daquela formação. Estrutura desenvolvida para que os melhores profissionais da área possam efetivar os treinamentos com os atletas desde tenra idade até a transição para a equipe profissional. Cultura voltada para aproveitamento dos jogadores da base, permitindo que esses se adaptem à diferença entre ser jogador das categorias de base e do profissional, com a torcida fazendo questão que o “prata da casa” tenha oportunidade e tempo para se firmar no time de cima.

No Brasil, temos um trabalho semelhante no Santos F.C., que permitiu com que fosse cunhada a célebre frase: “o raio cai várias vezes no mesmo lugar”, haja vista ter revelado Pelé, Robinho e Neymar, e ter já preparados alguns atletas para seguirem essa trajetória vitoriosa.

Imperioso para o sucesso das categorias de base de um Clube de futebol profissional é saber que não se gasta com categorias de base, mas sim faz-se investimento. Ter uma estrutura voltada para a formação dos atletas, ter o estilo de jogo do Clube sendo desenvolvido desde as menores categorias até o profissional, permitindo que o atleta quando chegue ao profissional não se perca com esquemas táticos e forma de jogar diferente da que tinha até então.

Aos Diretores, importante salientar que passam a cada ano na base do Clube de médio e grande porte, cerca de 150 atletas em formação, e que somente uma pequena quantidade desses se tornarão jogador profissional de futebol. Como existem várias determinantes que ao longo do tempo vão depurando esses atletas não há como saber com certeza qual atleta chegará e qual ficará no meio do caminho.

O importante é que as categorias de base de um Clube tenham uma Coordenação que mescle conhecimento das atividades em campo com conhecimento científico. Que todos os profissionais falem uma só linguagem e que essa linguagem seja estendida também ao profissional, que deve ter uma proximidade com a base, a uma para verificar quais valores poderá contar em breve, e mesmo em um momento em que não pode efetuar uma contratação de atleta de fora, e a duas, para que o atleta em formação sinta que se se esforçar e seguir em frente terá oportunidade para chegar ao profissional. Com isso, cada vez mais talentos terão vontade de atuar por aquele determinado Clube, fazendo a roda girar.

 

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Fernando Luis Pereira Lima
FERNANDO LUIS PEREIRA LIMA , Bacharel em Direito pela UFU, com Pós Graduação em Direito Civil também pela UFU e Direito Desportivo, Gestão Esportiva e Marketing pela Trevisan Escola de Negócios SP, Ex-Diretor das Categorias de base do Uberlândia Esporte Clube e elaborador de diversos projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte Federal, para o UEC, Palmeiras SP, USP e Associação Saque de Ouro - Marcelo Negrão.

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