Planejamento estratégico no futebol é possível

            Neste novo momento que vive o Uberlândia Esporte Clube, conseguindo se manter sem sustos pelo terceiro ano consecutivo na Primeira Divisão do Campeonato Mineiro de futebol e com calendário cheio para 2018, é necessário se falar em planejamento estratégico para os próximos anos.

Alguns dias antes da queda do avião da Chapecoense, me chamou a atenção uma entrevista com o Presidente daquela agremiação, Sandro Palaoro, em que ele explicava o sucesso do Clube em 04 pilares: planejamento, comprometimento, responsabilidade e transparência.

A Chapecoense tem uma Diretoria Executiva que atua junto com a Diretoria do Conselho Deliberativo que por sua vez não é somente um órgão fiscalizador mas sim aquele que auxilia a ditar os caminhos pelos quais o Clube vai trilhar nos anos seguintes. Em 2016 o orçamento do Clube era de 60 milhões de reais, na Série A do Brasileiro e disputando a Copa Sul Americana. Mesmo assim tinha um piso salarial de 30 mil reais e um teto de 100 mil reais. O complemento para os jogadores eram em forma de premiação por meta alcançada. Naquele momento o Presidente já havia informado aos jogadores que eles iriam receber o 14º salário, pois tiveram uma performance acima do que foi esperado e com isso geraram lucro ao Clube.

No caso do Uberlândia Esporte Clube, é o momento do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva traçar um planejamento do Clube para os próximos 10 anos. Aonde se pretende chegar e como vai fazer para chegar à meta proposta. Esse planejamento tem que ser um documento da entidade e não da diretoria A ou B. Qualquer que assuma o cargo, terá o compromisso de seguir o planejamento. Como ele irá imprimir seu toque pessoal para cumprir o planejamento não importa, mas ele terá que segui-lo.

Em todo planejamento tem-se a correção de rota, em caso de alguma coisa não dar certo, e também, estar preparado para que determinada meta venha antes do prazo fixado. A Chapecoense tinha planejado o acesso para a Série C em 2010, mas ele não veio com a derrota para o Ituiutaba, somente no ano seguinte é que conseguiu o seu intento. Porém, subiu à Série A dois anos antes do previsto e também conseguiu participar de uma Libertadores da América 2 anos antes do planejamento efetuado. Nem o revés e nem o sucesso alteraram a forma de administração do Clube.

A cidade de Uberlândia, o povo de Uberlândia e principalmente a torcida do Clube merecem esse planejamento e que ele venha com uma série de acertos do Departamento de futebol para que possamos verdadeiramente lotar o Estádio Parque do Sabiá e vibrarmos com as atuações do nosso time em campeonatos brasileiros e porque não, Sul Americana e Libertadores. Sonhar não custa nada. Planejar custa muito, pois exige que a Diretoria do Clube pense no macro, e não no momento, e talvez os dirigentes que tomarem esse grande passo nem vão estar em seus cargos quando o sucesso vier. Exige desprendimento e amor ao Clube.

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Fernando Luis Pereira Lima
FERNANDO LUIS PEREIRA LIMA , Bacharel em Direito pela UFU, com Pós Graduação em Direito Civil também pela UFU e Direito Desportivo, Gestão Esportiva e Marketing pela Trevisan Escola de Negócios SP, Ex-Diretor das Categorias de base do Uberlândia Esporte Clube e elaborador de diversos projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte Federal, para o UEC, Palmeiras SP, USP e Associação Saque de Ouro - Marcelo Negrão.

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