Mandos e desmandos do futebol profissional

O Clube Náutico Capiberibe venceu o Central de Caruarú ontem pelo placar de 5×0. A notícia da partida contudo foi outra, infelizmente corriqueira no outrora “País do Futebol”.

No intervalo, jogador do Central deu entrevista informando que eles só haviam almoçado (a partida era noturna), e que nem sequer um lanche fora servido antes do jogo aos atletas. Que eles estavam jogando porque são profissionais mas que essa deficiência certamente iria pesar no decorrer do jogo. Dito e feito, a partida que estava 1×0 para o Náutico no primeiro tempo, terminou em goleada do time dos Aflitos.

O pior ainda estava por vir: nota oficial da Diretoria do Central divulgada na manhã de quinta feira, afastou o jogador do elenco, e mais, informa que irão rescindir o contrato dele e o processar por danos morais. Surreal!!!

Nota-se claramente que os jogadores estavam sem alimentação, recorrendo ao banco de reservas do Náutico para tomar água.

Temos visto nos últimos tempos, Clubes de futebol de todos os rincões deste País ofertando esse circo de horrores. Em um momento é time que não paga salários há três, quatro meses; em outro, jogadores residindo em locais insalubres, sem alimentação adequada para atleta profissional de futebol, que tem um gasto de energia diversas vezes superior ao cidadão comum.

Recentemente tivemos o caso do Icasa Ce, cujos jogadores tiveram que dormir no saguão do hotel aonde iam hospedar, pois chegaram as 6:20 da manhã e a reserva era para depois do meio dia. E o caso mais emblemático, da equipe de Batatais, cujos jogadores ficaram retidos no Hotel em São José dos Campos, horas antes do jogo em Taubaté devido à falta de pagamento das diárias.

Como diria o jornalista Boris Casoi: “isso é uma vergonha”. O futebol profissional precisa ser revisto. As Leis estão aí, foram alteradas para combater esses abusos, citando o Profut e a Lei Pelé, porém as Federações e a CBF não cumprem, não exigem as contrapartidas dos Clubes antes do início do campeonato, e permitem esse crime contra os atletas profissionais de futebol, que para desempenharem bem suas funções, devem ter treinamento, descanso adequado e boa alimentação. Se o Clube não consegue dar o mínimo de condições para que atletas e membros da comissão técnica possam trabalhar, ele que dispute o campeonato amador de sua cidade, e não cause tanto prejuízo a trabalhadores no Brasil inteiro.

É necessário acabar com essas máximas do futebol de alojar jogadores embaixo de arquibancadas insalubres, achar que alimentação adequada é luxo, bem como dirigentes falarem abertamente e até com certo grau de irresponsabilidade que o futebol sempre foi assim e que o mês no futebol tem 90 dias. Quem não tem competência não se estabeleça.

Imagem de capa: Grafiteiro Paulo Ito 

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Fernando Luis Pereira Lima
FERNANDO LUIS PEREIRA LIMA , Bacharel em Direito pela UFU, com Pós Graduação em Direito Civil também pela UFU e Direito Desportivo, Gestão Esportiva e Marketing pela Trevisan Escola de Negócios SP, Ex-Diretor das Categorias de base do Uberlândia Esporte Clube e elaborador de diversos projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte Federal, para o UEC, Palmeiras SP, USP e Associação Saque de Ouro - Marcelo Negrão.

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