O adeus ao maior técnico da história do Bugre

Perdemos na última sexta-feira o vencedor, campeão brasileiro de 1978 pelo Guarani de Campinas, campeão pan-americano e medalha de prata em 1988, pela Seleção Brasileira de futebol e bicampeão com o Porto/ Portugal. Carlos Alberto foi um especialista em acompanhar o rendimento dos atletas desde a base. Foi um dos mais carismáticos e respeitados treinadores do país.

Sempre cotado para as competições de juniores e olímpicas do Brasil, bem como para iniciar os trabalhos que levavam à conquista de uma vaga na Copa do Mundo principal. Não ensinava, orientava. Não apontava, olhava nos olhos. Não usava de arrogância, dialogava. Não fazia o gênero pai, mas amigo. Dirigiu os grandes clubes do futebol brasileiro e por décadas, a cada demissão de técnico da seleção canarinho principal, tinha seu nome “ventilado”. Talvez o mais emblemático momento de Carlos Alberto tenha sido a conquista do título nacional, justamente quando se tornava conhecido. Para alguns, ele ainda seria Carlos Alberto, mas a verdade é que já era. Ganhar aquele campeonato em cima do gigante palmeiras, que dominava a década ao lado do Internacional e atropelando o Vasco, foi imprevisível, porém incontestável! Praticamente imbatível inclusive fora de casa, as faltas cobradas por Zenon eram chamadas de pênalti pelo comentarista “global” Sérgio Noronha. Os adeptos do futebol decoraram aquele time de peças simples, alguns craques, alguns veteranos, alguns jovens, muita disciplina, boa estratégia, certa tática e muita velocidade e a busca incessante do gol. Neneca; Mauro, Gomes, Édson e Miranda; Zé Carlos, Zenon e Renato; Capitão, Careca e Bozó. É bem verdade que o goleiro Leão, unanimidade na época facilitou dar um tapa na cabeça do então jovem centroavante Careca dentro da área penal estando com a bola dominada. Foi expulso e o meia Escurinho não conseguiu evitar o gol, na cobrança da penalidade máxima. Para não deixar dúvidas, o Bugre venceu ainda o jogo da volta, em casa.

Foi um fim de década incrível para o futebol campineiro, com esta façanha, o vice-campeonato paulista como favorita da Ponte Preta (já relembrado por esta coluna) que valeu a convocação de três atletas para a Copa da Argentina, no ano do título maior do alvi-verde. Isto mesmo! Um na Copa do Mundo e o outro campeão do país, no mesmo ano! Dicá da Ponte, Zenon e Renato “Pé Murcho” do Guarani tiveram o azar de terem como concorrentes Zico, Jorge Mendonça e Rivelino, talvez o melhor jogador pós Pelé para a disputa do Mundial de 1978. Já em 1981, a Ponte seria semifinalista do Brasil e seu arquirrival se acostumaria com os louros plantados pelo professor Carlos, chegando ao vice-campeonato brasileiro em 1986 e 1987 (ano da bagunça em que a CBF não conseguiu levar a campo Ínter e Flamengo, para o cruzamento dos módulos Verde e Amarelo). Anos mais tarde, teríamos dois campeões e dois vices. Hoje, o Guarani vem se erguendo, se aproximado novamente da primeira divisão nacional, mas está mergulhado em dívidas e em ações trabalhistas. Manda jogos no Brinco de ouro da Princesa, outrora melhor gramado do Brasil, porém não é mais seu único dono.

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Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

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