Ídolos de hoje e de outrora

Dinheiro leva ao poder, porém um poder sobre tudo que é fútil e destrutivo.

Dinheiro transforma, corrompe, empobrece a essência das coisas e da alma.

Agora vamos aplicar esse esboço de poema, quase um lamento filosófico, ao nosso futebol.

Na década de 70, tínhamos profissionais de todas as áreas que jogavam futebol nas horas vagas. E estamos falando de grandes craques, inclusive muito deles estiveram na Seleção Brasileira.  Esse fato não se prende às décadas de 60 ou 70.

Doutor Sócrates é um bom exemplo. Jogador do Corinthians nos anos 80, esteve na seleção canarinho ao lado de Zico e Falcão na trágica Copa de 82. Este, também ídolo do time alvinegro paulista, jamais jogaria com a camisa do Palmeiras.

Seguindo a mesma linha, temos o Roberto Dinamite do Vasco, o Zico do Flamengo, Dario do Atlético Mineiro, e até o Raí do São Paulo, que adentrou-se nos anos 90 com a camisa tricolor. Todos ídolos de verdade cuja camisa deveria ser aposentada pelos seus clubes.

Os ídolos de outrora eram blindados pela ética e ausência de fortunas.

Mas e os ídolos de hoje?

Pouquíssimo tempo atrás o lateral Leo Moura estava ajoelhado no gramado do Maracanã às lágrimas, abraçado às suas filhas, em sua despedida do Flamengo.  Este saiu como ídolo, porém, estes louvores prodigados duraram apenas alguns poucos meses. Leo Moura pediu para jogar no Vasco da Gama. Isso mesmo, defender o escudo do maior rival do time que acabara de sair na condição de ídolo.

Outra figura que “esteve no pedestal” dos torcedores apaixonados é o estrangeiro Conca, ídolo contemporâneo do tricolor das Laranjeiras que hoje veste o “manto sagrado rubro-negro”.

Será que Pelé, eterno rei do futebol, mundialmente conhecido pela camisa 10 da seleção campeã de 70, e campeão mundial pelo poderoso Santos da Vila Belmiro, venderia sua imagem por uma grande bolada nos dias de hoje?

Por mim, deveriam proibir, com pena de suspensão de 10 jogos, jogadores de futebol que ousassem beijar os escudos dos times que lhe pagam uma fortuna.

Pronto, falei!

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Dalena Júnior
Dalena Júnior é natural de Ituiutaba, formado em fisioterapia na cidade de Santos (SP) e uberlandense de coração. Assíduo em estádios de futebol, foi comentarista de programas esportivos locais no interior paulista nos anos 90.

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