Paratleta lamenta o desinteresse das entidades representativas pela trajetória dos competidores

O esporte paralímpico brasileiro sempre honrou a nação com seus resultados. Vai se consolidando uma tradição que foi percebida recentemente na melhor participação brasileira na história dos Jogos Paralímpicos. “Vivemos um bom momento, as conquistas foram são satisfatórios, o trabalho é bom mas há muito o que fazer”. É o que pensa Marcos da Costa Rocha, paraibano de 46 anos, paratleta de Uberlândia.

Ele critica a falta de pessoas que vivam os problemas da classe entre os gestores das respectivas entidades representantes. Acha que falta pensarem mais nos competidores e menos na imagem das instituições. Não poupa o Comitê Olímpico Brasileiro, embora os resultados agradem, assim como entende que os governos deixam a desejar na matéria. Apesar de estar decepcionado com os agentes políticos que poderiam interceder para que este “tratamento” melhore, afirma que não deixará de ir à luta, “tomar chá de cadeira” e que algo é conseguido por intermédio do ministério público, mas que o ideal não seria ter que lutar e sim, ser ouvido. Seria assim um atalho. Marcos se emociona ao lembrar a infância e a juventude em um estado sem estrutura paradesportiva (Começou competindo pelo Rio Grande do Norte, chegando ao títulos brasileiros regionalizados Norte/Nordeste e outro pódios, entre 1992 e 1995). A paralisia cerebral, segundo laudo do Sudeste ou poliomielite, segundo laudo da época, no Nordeste, o levou a uma cirurgia no pé. A mãe, sem condições financeiras para pagar sua prática de natação ou sessões de fisioterapia encontrou na criatividade, a solução. O filho foi para o futebol. Não o futebol de Sete paralímpico, mas o futebol de campo, paixão dos brasileiros e entre praticantes não portadores de deficiência. Se por um lado, sua necessidade física era atendida, se lhe apresentava um outro mundo: o do preconceito, o da rejeição.

Foi praticamente na idade adulta que Marcos Rocha aprendeu a nadar. Compete na natação e no futebol de sete. Seguiu para o Rio de Janeiro, onde encontrou mais respeito e profissionalismo para com sua ocupação. Porém questões ligadas à segurança pública e às distâncias o fizeram se mudar para Uberlândia, que tinha centros de referência em esportes paraolímpicos. Segundo ele faltava maior interesse até mesmo pela trajetória dos competidores que se apresentavam às entidades mantenedoras das atividades paradesportivas. Não apenas tinha que ser considerado um primário praticamente, apesar de respeitável currículo, mas teria chegado a sentir certa desconfiança dos responsáveis em relação a ele como pessoa. Mas declara que este trabalho em Uberlândia já foi melhor. Além das críticas a quem comanda ele diz que os próprios paratletas devem receber um “puxão de orelha”, para também serem ativistas e buscarem maior divulgação de suas competições e resultados.

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Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

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