A noite que não quer acabar

“[…] milhões em ação, pra frente Brasil, no meu coração”. Este trecho da música-tema do Brasil na Copa de 70 serve para ilustrar o momento ufanista em um país que se mobilizava e torcia por apenas um time em busca de um sonho. Um sonho que a cada dia parecia ser mais possível. Se concretizava e poderia se tornar realidade. Poderia, se não fosse a tragédia “não-anunciada” que surpreendeu a todos, sem exceção, na madrugada e manhã de terça-feira (29).

O avião que levava a delegação da Associação Chapecoense de Futebol para o primeiro confronto final da Copa Sul Americana, na Colômbia, caiu em meio às montanhas. Ceifou a vida de 71 pessoas, entre jogadores, comissão técnica, convidados, jornalistas e tripulação.

Pessoas “desconhecidas” da grande maioria dos mais de 200 milhões de habitantes no país, mas que ficaram tristes e consternados, deixando uma nação inteira praticamente sem fala. Sem querer acreditar no que se via e ouvia.  Times de todos os cantos do mundo, mostrando solidariedade, respeito e apoio aos familiares e à instituição Chapecoense.

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Apesar de não conhecer cada uma das vítimas, cada brasileiro se sentiu comovido, triste e estarrecido com a tragédia, pois cada um daqueles que estavam naquele voo tem sobrenome, familiares. E mesmo acontecendo a quilômetros de distância, parece que foi aqui, no quintal da casa de cada um de nós. Não se foram apenas jogadores e jornalistas. Foram pessoas que amavam o futebol, que amavam o que faziam. Que certamente estavam extremamente felizes de estar ali naquele momento. A dor que sentimos parece ser maior ao pensar e lembrar isso. A tragédia uniu uma nação.

Uma nação de apaixonados pelo Futebol ainda está de luto, junto a outros tantos que “nem se importam tanto” com o futebol. O mundo do futebol se solidarizou. Bandas de rock de todo o mundo fizeram sua homenagem, o melhor basquete do mundo também prestou homenagens. Homenagens estas que vieram também do povo colombiano, que mobilizados pela paixão, pelo carinho com que trataram todas as vítimas, dentro e fora de seus limites geográficos, e pelo respeito, acima de tudo. Não, não é só futebol!

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A ascensão que a Chape vinha desempenhando dentro do mundo do futebol, escrevendo uma história de superação, força, competência e sucesso, deu lugar a um fim trágico e triste. Um sentimento coletivo de perda se abateu sobre cada um de nós.  Bem assim, como é o danado esse tal de futebol, onde os sentimentos de alegria e euforia andam tenuamente com a tristeza e a frustação. As tentativas de cada um em homenagear, principalmente nas redes sociais, mostram o respeito e o quanto ainda somos capazes de sermos humanos.

Os times, se unindo, deixando de lado a rivalidade e o clubismo e compartilhando com o clube – que ainda permanece vivo – o sentimento de respeito, propondo soluções para o futuro da Chape, nos fazem realmente crer que sim, não é só futebol. A esperança ainda é um sentimento vivo em cada um de nós.

A repercussão da tragédia pelo mundo mostra o quanto este acidente chocou a todos. Não é um luto somente das famílias e amigos, é um luto de todos nós. Nossa capacidade de de suportar foi levada ao extremo. O futebol deixou por um momento de ter cor, de ter camisa, de ter hino.

Os companheiros de imprensa que estavam ali, acostumados a levar a emoção, na esperança de dar ao país boas notícias, também foram vitimas daquilo que se tornou uma tristeza profunda. A Chape foi capaz de, em uma semana, se tornar o segundo time de cada amante do futebol. Mas o maior sentimento que fica é: E se aquela bola tivesse passado pelo Danilo? E se aquele gol tivesse entrado?

Difícil entender aquilo que nos espera, mas de fato, fica a lição que devemos viver aquilo que dá pra viver. Não sabemos o que encontrar ali na esquina. A derrota sofrida ontem, pode significar muito a sua vitória amanhã. Minhas mais sinceras condolências à equipe de futebol da Chapecoense, aos companheiros de imprensa e todos aqueles que perderam suas vidas no acidente de avião ocorrido na Colômbia.

Grande Abraço e que Deus conforte as famílias daqueles que perderam a vida nesta tragédia. Que Nosso Pai do Céu nos abençoe! Hoje, mais que nunca, Somos Todos Menos Alguns.

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Leo Enderson
Leo Enderson tem 39 anos e é formado em Administração e Logística pela Universidade Anhanguera. Foi repórter e apresentador da Rádio América e Globo Cultura de Uberlândia. Amante de cervejas artesanais, rock'n'roll e futebol. Aprendiz de chef de cozinha e árbitro de futebol, formado pela LUF/FMF. E-mail: leoenderson@mancheteesportiva.com.br

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