“Ganhar de meio a zero”

Somente o Galo obteve resultado mais tranquilo entre os clubes que estão decidindo vagas às semifinais da Copa do Brasil. Venceu na ida sem tomar gol, ao passo que os outros mandantes também venceram, mas não tiveram a mesma sorte. As vitórias de Corinthians, Santos e Grêmio foram pelo placar de 2 x 1. Talvez sejam as quartas-de-final mais equilibradas das últimas edições e os classificados deverão ser definidos nos detalhes. Por isso mesmo a disciplina, a ética e o respeito deveriam ter sido levados ao extremo. Foi inevitável que viesse à memória, a comemoração dos atletas do Santos, na primeira partida da final do Brasileirão de 1995, ao perderem por um gol de diferença, no Rio. Deixaram transparecer que certamente venceriam em São Paulo, o que não aconteceu (Na época o Brasileirão era disputado por fases).   

Na Copa do Brasil, como há o gol qualificado, ou seja o gol fora vale mais que o gol em casa, para efeitos de critério de desempate quando houver igualdade no saldo, a cena vem se repetindo. Talvez o Palmeiras não tenha comemorado tão efusivamente o gol na casa do adversário, quanto Cruzeiro e Internacional (que vive uma crise, podendo deixar de ser integrante do Campeonato Brasileiro da Série “A”). Mas o técnico Cuca deixou escapar uma expressão, na minha forma de entender, altamente comprometedora, que só serve para motivar o adversário. Conhecendo-o pessoalmente e sabendo de sua seriedade, de seu carácter e de seu profissionalismo, entendo que ele não quis desrespeitar o adversário, mas que achou que foi um mal menor ou resultado menos ruim. Mas suas palavras corroboram para estas comemorações exacerbadas, quando o correto seria o atleta pegar a bola, comemorar sim, mas correndo para o meio, devolvendo a bola e ao ser reiniciado o jogo, buscar o empate.

O tal gol fora não vem decidindo vagas e títulos? Sim. Deve ser muito comemorado? Sim. Mas deve ser tratado como critério de desempate, não como resultado positivo. Quem garante que o adversário não fará tantos ou mais gols que sofreu em casa? O Atlético Mineiro venceu por um a zero, com status de dois a zero. Se perder pelo mesmo marcador, terá o direito de tentar a sorte nos pênaltis. Se for derrotado por um gol de diferença, marcando gols, passará de fase. Os demais vencedores, estão em vantagem, comparada à expressão “ganhar de meio a zero”. Por que um a zero é maior que “meio a zero” e não é força de expressão, pois quem não leva gol em casa e marca fora é favorecido. A estratégia é vencer bem. Não sendo possível, vencer sem tomar gol. Se não der certo, vencer a qualquer custo. Depois, tenta-se empatar fora com gols, em casa sem gols ou quase isso. Para se ter uma idéia, quase não há diferença entre vencer em casa por um a zero e empatar em zero. Perder fora por um gol, marcando um ou mais tentos, seria quase empatar. Os técnicos devem mandar seus times para frente, quando visitantes e mantê-los cautelosos, como mandante.

 Mas mantenho a ressalva: Trata-se de critério de desempate, então nem deve um mandante que fez dois a zero se antecipar como virtual classificado, nem deve aquele que perder por pouco e marcando gols comemorar como se “as favas estivessem contadas”.

Grêmio e Cruzeiro seguem sendo os maiores vencedores da competição e o Palmeiras almeja o título, para alcança-los nesta galeria.

 

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Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

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