Formação de atletas paralímpicos depende de mais investimento

O paratletismo é uma modalidade do paradesporto, praticada por pessoas portadoras de deficiência, visivelmente caracterizada ou não. Em Uberlândia, os principais esportes são a natação, o atletismo, a bocha, o halterofilismo, o goalball e o futebol de sete.

    As entidades mais atuantes em competições são Clube Desportivo para Deficientes de Uberlândia (CDDU), Associação dos Paraplégicos de Uberlândia (APARU), Associação Paraolímpica Uberlandense de Deficientes Visuais (APUV), Instituto Virtus, Associação dos Deficientes Visuais do Triângulo Mineiro (ADEVITRIM), Associação dos Deficientes Visuais de Uberlândia (ADEVIUDI) e o Praia Clube.

    Aproximadamente 200 paratletas são praticantes de alguma modalidade, mas apenas seis conseguiram vagas para as Paralimpíadas do Rio de Janeiro, na natação, arremesso de peso e salto em distância. Três deles conquistaram medalhas.

    O coordenador do núcleo de paradesporto de Uberlândia, Hudson Paim, diz que a quantidade é muito pequena em relação ao potencial que todos os atletas têm. Para ele o que falta é investimento, pois as instituições, exceto o Praia Clube, dependem da verba que a Prefeitura repassa, porém apenas essa ajuda não é suficiente. “Temos 200 atletas, se fosse repassado R$ 1 mil para cada um seriam R$ 200 mil por mês para ser investido, mas não é esse o valor real que as entidades recebem.”, conta.

A CDDU, APARU, VIRTUS e APUV dividem um repasse feito pela Prefeitura Municipal de Uberlândia no valor de R$ 125 mil, que totalizam pouco mais de R$ 30 mil/ano para cada. As demais também recebem um repasse, porém em valor inferior. Além da contribuição financeira, cinco professores são mantidos pelo município e há parceria com o UTC, SESI Gravatás, Educa UFU e Arena Sabiazinho, que disponibilizam os locais para treinamento sem custo.

Paim acredita que para haver mais atletas a nível olímpico é preciso que haja mais verba, só que atualmente essa ajuda precisa vir do apoio de empresas e indústrias locais (Foto: UBER Notícias)
Paim acredita que para haver mais atletas a nível olímpico é preciso que haja mais verba, só que atualmente essa ajuda precisa vir do apoio de empresas e indústrias locais (Foto: UBER Notícias)

    “Talvez uma só empresa não possa doar R$ 10 mil, mas se puder ajudar com R$ 500 a entidade empregará esse dinheiro onde mais precisa. Às vezes o atleta necessita de R$ 100 para fazer uma viagem e não consegue.”, comenta.

    O Ministério do Esporte também contribui com a Bolsa Atleta, mas não são todos que conseguem esse auxílio. A Bolsa é dividida em quatro níveis: Bolsa Nacional no valor de R$ 1mil, Bolsa Internacional de aproximadamente R$ 2mil, Bolsa Olímpica/Paralímpica de R$ 3,5 mil e a Bolsa Atleta Pódio de R$ 15 mil. O valor é depositado diretamente na conta do atleta e para ganhá-la é preciso participar de pelo menos de uma prova, em um campeonato, e conquistar uma medalha.

É possível entrar em contato diretamente com a entidade e oferecer ajuda em dinheiro ou serviço.
CDDU – Clube Desportivo para Deficientes de Uberlândia
Endereço: Rua Francisco Ribeiro, nº 1970
Fone: (34) 3087-2036
E-mail: cdduesportes@hotmail.com
APARU – Associação dos Paraplégicos de Uberlândia
Endereço: Rua: Juvenal Martins Pires, nº 281- bairro Jardim Patrícia
Fone: (34) 3238-1033
E-mail: aparu@aparu.org.br
APUV – Associação Paraolímpica Uberlandense de Deficientes Visuais
E-mail: apuv.paraolimpica@gmail.com
Fone: (34) 9 9147-2434 Clayton Pacheco
Instituto Virtus
Endereço: Avenida Mauá, 856 – bairro Bom Jesus – CEP: 38400-754
Fone: (34) 3229-6517
E-mail: administrativo@institutovirtus.org.br
ADEVITRIM – Associação dos Deficientes Visuais do Triângulo Mineiro
Endereço: Rua Belém n° 1088 – Bairro: Aparecida – CEP: 38.400-642
Fone: (34) 3232-7351 – (34) 3087-4195
E-mail: miron-miguel@hotmail.com
ADEVIUDI – Associação dos Deficientes Visuais de Uberlândia
Endereço: Av. Segismundo Pereira, 1355 – bairro Santa Mônica
Fone: (34) 3236-1774
E-mail: adeviud@hotmail.com

Paralimpíadas 2016

    Seis atletas treinados em Uberlândia participaram da Paralimpíada sediada no Rio de Janeiro, de 7 a 18 de setembro. Ruan Felipe, Guilherme Batista, Mariana Gesteira, Rodrigo Parreira, Mauro Souza e Ruiter Silva. No total, quatro medalhas vieram para cidade.

    Mariana Gesteira não foi medalhista dessa vez, mas tem uma história de dedicação com o esporte inspiradora. Ela é portadora da Síndrome de Arnold-Chiari, que afeta o equilíbrio e a coordenação motora. A doença foi descoberta aos 14 anos de idade e uma das orientações médicas é que ela não poderia treinar sem um balão de oxigênio. Mariana treina e compete sem o balão, mas garante que chegar ao máximo é um pouco complicado, pois geralmente passa mal, mas isso não a impede de continuar.

    Antes de descobrir a síndrome Mariana já era atleta e teve que parar por quase três anos as atividades, pois desmaiava e não tinha condições de nadar. Com o uso de medicação correta, retornou às piscinas aos 18 anos. Natural do Rio de Janeiro, ela foi apresentada ao esporte paralímpico em 2014 e há mais de um ano treina em Uberlândia.

    Aos 21 anos de idade, não imaginava que voltaria para o Rio para competir na Paralimpíada, pois muitos atletas precisam de vários anos de preparação para conseguir. “Apesar de ter ficado quatro anos parada e ter pouco mais de um ano para treinar, a minha experiência contou muito, porque eu sempre fui atleta. Não esperava ser classificada, mas o resultado pra mim foi muito positivo.”, comenta. O foco da atleta agora é Tóquio, em 2020.

    Outro atleta que não esperava participar dessa competição foi Rodrigo Parreira. Ele tem paralisia cerebral e aos 22 anos trouxe duas medalhas para casa. Conquistou medalha de prata no salto em distância e bronze nos 100 metros livre, na natação. A paixão pelo esporte começou desde cedo. Primeiramente iniciou na natação, mas viu na paixão pela corrida a oportunidade de se tornar atleta.

    Foram três anos de treino até chegar às Paralimpíadas e apesar de ser classificado em 15º lugar – pior média-, ele se superou. “Quando entro em uma competição eu entro para ganhar, não importa se chego em último lugar, mas sempre me supero. Foi isso que aconteceu!”, enfatiza.

    Ele procura ultrapassar os próprios limites não apenas em um campeonato e acredita que independente do que acontecer pela frente, a maior conquista ele já tem. “Não era pra eu falar nem andar e chegar onde hoje estou me faz provar para muitas pessoas que eu sou capaz. Pra mim isso basta!.”, comenta.

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