Saudades do “maracanazo”

Eu aguardava tranquilamente duas décadas para nascer, minha mãe curtia seu primeiro ano de vida, mas a imprensa já fazia um “linchamento” virtual do goleiro Barbosa, que foi bem naquela copa, a de 1950. O “futebol moleque” dos comandados de Flávio Costa proporcionou aos torcedores uma “chuva de gols”, durante a competição. O próprio Ghiggia declarava já nos anos 2000 que achava um exagero os brasileiros lamentarem por tanto tempo uma derrota. O Uruguai precisou de 13 minutos, para “liquidar a conquista”. Quem viu aquele primeiro tempo de ansiedade e indefinição não poderia imaginar que veria outro jogo, na outra etapa.

       Mas estas mesmas pessoas devem estar morrendo de saudades do “maracanazo”, um superlativo em espanhol criado naquele momento que qualificou, “pegou” e será sempre utilizado, em readaptações de fracassos em casa. Saudades sim, porque o “Mineirazo” já fez muita criança parar de torcer para a seleção principal do Brasil. Já eram bastante influenciadas pelos times europeus, por causa dos “vídeo-games” e das partidas dos grandes times europeus, acompanhadas pela TV. Muito adulto também prometeu nunca mais “perder tempo” com a seleção brasileira. Vou mais longe. Eu nunca aceitei a derrota de 3 x 0 para a França, mesmo sendo na casa dos vencedores. Na velha maracanazomania brasileira de se procurar culpado, apontei o técnico Zagallo, que mandou a campo Ronaldo doente, após convulsão.

       Até hoje, acho que aquele “timaço” francês não tinha estirpe para golear o Brasil. Nunca deixei de admitir porém que somos “fregueses de carteirinha” dos franceses. Vi a seleção olímpica de 84, com base no Internacional de Porto Alegre perder o ouro para eles. Dois anos depois, Telê coloca Zico, voltando de contusão para cobrar o pênalti que seria a “pá de cal” da classificação dos canarinhos e ele perde. Some-se a semi-final, na Coréia do Sul e as quartas, na Alemanha, também copas do mundo. Continuo “sem engolir” os 3 x 0, mas perder de 7 x 1, ainda mais em casa, um amistoso que fosse, quanto mais uma semi-final de Copa, com toda a torcida a favor? Parabéns, Flávio Costa, Friaça, Bigode e companhia. Grande parte daquela geração de jornalistas ainda não sabia definir a palavra vergonha.

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Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

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