Essa Prata é de Ouro

Estamos a quatro dias do fechamento da Olimpíada do Brasil e, apesar do que costumamos chamar de probleminhas extracampo, o saldo me parece positivo.

Grandes astros já desfilaram e outros ainda enfeitam as passarelas do Rio de Janeiro, que, por sua vez, continua lindo. De quem tanto esperávamos, vimos o espetáculo se repetir. Na lista dos novos, se apenas o universo da ginástica conhecia, agora é o mundo inteiro que reverencia o novo fenômeno chamado Simone Biles. Mas eu quero falar um pouco mais é sobre o Tênis, que nos proporcionou grandes espetáculos e extraordinárias surpresas.

Ao ver a tabela e projetar os cruzamentos, pensei que dificilmente Thomaz Belucci fosse chegar ao ponto de enfrentar o vizinho uruguaio, Pablo Cuevas. Mas ele foi vencendo, seguindo em frente e até pôde assustar o grande Rafael Nadal, contra quem ganhou o primeiro set. Depois cedeu ao talento, mas sem deixar de exigir muito do espanhol. Já no torneio de duplas masculinas, jogando com o também nosso, André Sá, Belucci desbancou os irmãos britânicos, Andy e Jamie Murray. Os brasileiros só foram barrados pelos italianos Fognini e Seppi.

Agora, nada se compara ao que fez aquele tenista argentino que começou por eliminar o grande favorito, Novak Djokovic, nada mais, nada menos que o número um do mundo e há muito tempo. Ao fim de uma longa partida, ambos choraram. O sérvio, certamente pesaroso por não poder seguir na grande festa do esporte mundial. O argentino, mais que por ter triunfado diante de quem ocupava o topo do ranking, não conteve as lágrimas ao constatar que havia vencido, também, aquilo que o afastara das quadras durante seis longos anos.  Nesse tempo, foi submetido a quatro cirurgias no punho: três de um lado, uma do outro. E embalado, defrontou-se a seguir com Rafael Nadal, outro monstro sagrado das quadras. Em partida exaustiva ― que durou três horas e oito minutos, disputada cerca de doze horas após ter batido Djokovic ― mais uma vez o Hermano alcançou a vitória. Então só restava a grande final. Valia ouro, quando aquele argentino e o britânico número dois do mundo ― que havia feito a sua semifinal algumas horas antes e já descansava enquanto assistia ao sofrimento do futuro adversário, diante de Nadal ― se viram frente.

Mesmo quem não assistiu sabe perfeitamente o que houve, pois pouco se fala de outra coisa nesses dias. Mas vale lembrar que embora se arrastando, às vezes; debruçando-se na rede para recuperar o fôlego ao fim de um game mais prolongado; questionando o árbitro sobre uma marcação ou outra; pedindo o desafio apenas com o propósito de obter uns segundinhos para assimilar o enorme cansaço, agravado pela nova e penosa batalha que durou exatamente quatro horas e dois minutos, o argentino vendeu muito caro o Ouro que Andy Murray tanto queria para se tornar bicampeão olímpico, numa final suada, que acabou vencendo por três sets a dois.

Faz algum sentido. O termo argentino, tomado como adjetivo, tanto pode designar alguém nascido naquele país quanto algo de prata Mas que aquele argentino tem um brilho intenso de ouro, isso tem.

Ah! E a Juan Martin Del Potro, pode chamar de Fênix!

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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