Só o Atlético “pensa alto” entre os mineiros no Brasileirão

Além de problemas com a baliza, Arrascaeta, Ábila e Cabral, a volta de Romero marca o início do returno no Cruzeiro. Agora não dá para vacilar. Se o time parece ter engrenado, os outros também estão fazendo contas. Terá que fazer muito mais nesta parte do campeonato, se quiser permanecer na primeira Divisão. É muito cedo para se pensar em algo mais e talvez seja tarde, para se corrigirem os tropeços. É preciso vestir a camisa da realidade e “aproveitar o despertador tocando”.

Quem ficou naquela do “se Fulano perder, o outro empatar, ganharmos tantas partidas”, como Vasco, Palmeiras e Botafogo, Corinthians e Grêmio, além do próprio Galo se viu em condição irreversível, nos anos 2000. Chegar à metade do campeonato a dois pontos de quem está fora da zona de rebaixamento é sim preocupante para a agremiação cruzeirense.

Não por ser algo inusitado, mas sim por sacramentar as melancólicas campanhas nos dois últimos estaduais, em que sequer foi finalista. Perdeu pontos impensáveis para os considerados pequenos. Ao que parece o sério e esforçado presidente Gilvan Tavares teria apostado na fórmula “mágica” (omelete sem ovos, pão-de-queijo sem queijo) do surpreendente bicampeonato com nomes pouco conhecidos e que “sumiram do mapa”. O Cruzeirense se acostumou a verdadeiras seleções montadas na “era Perrela” e o que agora se vê é o diagnóstico de vários clubes nacionais nos últimos anos:

Contratações equivocadas e mal sucedidas, lançamento de jovens sem grande potencial, atletas em dificuldade de recuperação física/ clínica e principalmente aquilo que está na moda, mas que irrita o torcedor. Trata-se da gestão saudável, ou seja, investir dentro do orçamento. Torcedor quer título e não “balanço no azul” (sem trocadilho). Podem pesquisar…  Apesar de o arquirrival ter obtido a Libertadores seguindo esta linha, o cruzeirense é como todo adepto a qualquer time: imediatista! Notícia péssima! Acabo de receber duas respostas de duas fontes diferentes que são nossos colaboradores sobre os bastidores do Cruzeiro. Uma é que não há perspectiva de contratações. Outra, o grupo está fechado.

O “Galo doido” chegou em segundo e mostrando o “cartão de visitas” com os dizeres: “aqui é Galo”. Ao contrário do Cruzeiro, está “colhendo os frutos” da gestão cuidadosa, mas arrojada de Kalil e seu sucessor Nepomuceno. Robinho reencontrou um futebol que preencheu as ausências que ocuparam o departamento médico. Aos poucos o time vai se “recompletando” e mostrando que é melhor ganhar mais e perder menos que empatar muito.

Todos sabem os oito que sempre disputam o título e este ano, a taça fica entre cinco. Reconquistar o título de 1971 seria com muita Justiça premiar o futebol ofensivo, criativo e plástico. Mas também, corrigir a inexplicável ausência de um título nacional, na era Reinaldo. Marcelo Oliveira era o camisa “10”. Quem sabe não seja agora, no banco? Um alerta! É mais que uma questão de torcida. É questão de esperança, que dizem ser da cor da camisa do líder…

Está difícil projetarmos Tupi e América permanecendo em suas respectivas divisões. Se Santa Catarina, que nunca teve campeão da série “A” já contou com quatro times na primeirona, Minas não pode perder força nas principais competições nacionais que envolvem acesso e descenso. Pelo histórico das participações do América e dos times que passam a maior parte do Campeonato na “lanterna”, não daria para o Coelho. Mas ao contrário de quem pensava em diretoria passiva, esta está se mexendo. Os novatos Nílson e Éderson são as apostas. Já o Tupi, ao que parece, não tem bons prognósticos de permanência na série “B”, por não conseguir impor o fator “casa”.

 

COMPARTILHAR
Paulo César Borges
Paulo Cesar Borges é jornalista graduado em Uberlândia, tendo atuado por 24 anos em emissoras de rádio, tv e em um jornal da região. Realizou coberturas jornalísticas em três países. Sua atuação anterior foi o retorno à rádio Educadora, por onde atuou nos anos 1990. Foi exatamente em 1990 que iniciou em 04 de janeiro sua trajetória na imprensa através do rádio. Passou várias vezes pelo prefixo 580 Khz (hoje Rádio América) e por nove anos defendeu as cores da Rádio Cultura AM.

DEIXE SEU COMENTÁRIO