O Uberlândia Esporte Clube não é só futebol

Renato Melo Rodrigues (*)

Não foram apenas seis jogos seguidos que o Uberlândia Esporte Clube perdeu no módulo I de 2016. Se tivesse ganhado um jogo destes seis que perdeu, estaria na série D do Brasileiro. Como consequência, muitos perderam. Vamos a cada um:

O clube, enquanto instituição: este perdeu muito em receitas e credibilidade junto a patrocinadores. Não bastasse isto, continua fora do ranking da CBF que só inclui equipes que disputam campeonatos brasileiros.

Jogadores: estes perderam porque deixaram de garantir uma vaga para a série D e, consequentemente, renovação de contrato. Alguns estão até hoje sem clube. Deixaram ainda de ter seu passe valorizado, porque o currículo deles ficaria mais valioso com uma classificação para um brasileiro.

Alexandre Barroso: quem irá contratar um técnico que perde seis jogos seguidos?

Universidade do Futebol: quem vai ouvir conselho ou querer estudar numa instituição que não consegue ganhar um jogo em seis?

A cidade de Uberlândia: disputando uma competição nacional, o nome da cidade seria lembrado e comentado, já que o Verdão é um time que leva o nome da cidade. Mais jogos do Verdão, mais pessoa trabalhando em decorrência dos jogos e mais dinheiro circulando na cidade, movimentando a economia local.

Imprensa: quantas pessoas estariam envolvidas na cobertura do UEC na disputa de um campeonato brasileiro?

Torcida: essa perdeu a autoestima, ficou cabisbaixa. Mesmo o time se mantendo na elite do mineiro, ela tem até vergonha de falar do clube.

FMF e CBF: estas deixaram de ter um time que tem torcida e que dá muita renda em competições brasileiras. Financeiramente, ter Villa Nova na série D é um fiasco de renda. A URT até tem torcida, mas o estádio não cabe quase ninguém. Portanto, estas também perderam.

Assim, meus caros, futebol não é só a bola rolando dentro de campo. É uma paixão. É um negócio. É uma marca. Quando se perde, muitos perdem. Por isto, a responsabilidade de quem assume uma bronca desta é muito grande. Não é apenas ir lá e falar que quer assumir um time. Tem que ter a atitude de fazer as coisas acontecerem e tomar as medidas corretas. Não se pode tratar isto com amadorismo e “se ganhar, ganhou. Se perder, perdeu”.

(*) Renato Melo Rodrigues é advogado trabalhista em Uberlândia/MG

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Renato Rodrigues
Renato Melo Rodrigues é advogado trabalhista em Uberlândia/MG

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