Brasil atropela a Suécia no futebol feminino e se classifica para as quartas

Carol Delmazo - brasil2016.gov.br

O futebol feminino encantou mais uma vez no Engenhão, no Rio de Janeiro. A vítima deste sábado (06.08) foi a Suécia: com dois gols de Bia, um de Cristiane e dois de Marta, o Brasil venceu e convenceu. Com o resultado de 5 x 1 – o gol sueco foi de Schelin -, a equipe anfitriã chegou a seis pontos no Grupo E, garantindo classificação para as quartas de final do torneio olímpico.

O jogo começou antes do início: já no aquecimento, o público foi à loucura quando as brasileiras entraram. Marta e companhia responderam com palmas e sentiram já naquele momento a energia positiva que se estenderia por toda a partida. O técnico Vadão repetiu a formação que venceu a China na estreia: Bárbara; Fabiana, Mônica, Rafaelle e Tamires; Thaisa, Formiga, Marta e Andressa Alves; Cristiane e Bia. O hino foi outro momento à parte, cantado à capela em uma acústica de arrepiar.

Em campo, o que o Estádio Olímpico presenciou foi um futebol alegre, solto e com belas jogadas. O carinho com a bola em campo foi devolvido com o incentivo nas arquibancadas. No primeiro tempo, já estava 3 a 0. Na etapa final, a Suécia tentou se recuperar, mas as brasileiras seguraram bem o resultado e ainda ampliaram.

“O placar foi muito alto para o tipo de adversário que enfrentamos. Estávamos confiantes em fazer um bom jogo, mas um placar dilatado desse não é comum entre duas seleções desse nível”, disse o técnico Vadão. “Quem está de fora e vê o futebol feminino pode dizer: ‘a China é fraca, a Suécia não é nada disso’. Mas não é assim. Nós é que jogamos muito bem”, acrescentou.

A notícia ruim foi a saída de Cristiane de campo com dores no posterior da coxa direita, no meio do segundo tempo. O saldo não deixou de ser a confiança, que vai na bagagem das atletas para a Arena da Amazônia, em para Manaus, onde enfrenta a África do Sul na próxima terça-feira (09.08).

“Estava conversando com o departamento médico agora. Pelos sintomas que ela teve aparentemente, até ficamos otimistas. Mas sem o exame de imagem, sem algo mais concreto, é difícil falar. Vamos esperar até amanhã para analisar melhor. Como já estamos classificados, poderíamos até poupar atletas no próximo jogo. Não estamos preocupados. Queremos agora que ela descanse, que faça o exame quando for necessário”, explicou o treinador.

O Jogo

A Suécia deu o pontapé inicial, que foi acompanhado de uma sonora vaia. Uma não, várias, a cada jogada adversária. A partida começou movimentada, com os dois times ofensivos. Marta chamou o jogo diversas vezes pela ponta direita. Uma pedalada da camisa dez levou o público ao delírio aos 6 minutos.

Aos 10, um susto: Rubensson avançou pela direita e o cruzamento foi parar nos pés de Asllani, que vinha de trás com velocidade. Bárbara salvou o Brasil com bela defesa.

Com 13 minutos, Cristiane roubou a bola no campo defensivo, avançou pelo centro e enfiou para Marta na esquerda, mas ela chutou em cima da goleira Lindahl.  A Suécia, por sua vez, insistia na chegada pela direita, dando trabalho para Tamires. Mas quem mexeu no placar foi mesmo o time da casa.

Capitã marca duas vezes e lidera goleada de 5 a 1 sobre as europeias na segunda rodada - Foto Rio2016.com
Capitã marca duas vezes e lidera goleada de 5 a 1 sobre as europeias na segunda rodada – Foto Rio2016.com

O primeiro gol veio aos 21: o longo lançamento do campo defensivo brasileiro poderia ter sido parado por Beglund, mas a sueca falhou já na área, Bia acreditou e empurrou para o fundo da redes.

A Suécia quase empatou na sequência: a bola chegou a entrar, mas Schelin estava impedida e a arbitragem marcou. E teve que marcar também o segundo gol do Brasil. Tamires recebeu de Formiga e tocou pra Marta, que rapidamente cruzou para Cristiane ampliar três minutos depois, com belo gol de letra. A camisa 11 se isola ainda mais na artilharia da história do torneio olímpico, com 14 gols.

O jogo parou aos 36 e Thaisa foi atendida. A volante sentiu dores na barriga, saiu de campo em uma maca, mas retornou a campo.  Com bola rolando novamente, o Brasil mostrou que dois a zero era pouco para os primeiros 45 minutos. Marta tocou de calcanhar para Cristiane, e a camisa 11 devolveu da mesma forma. A tabela prosseguiu com Marta invadindo a área e tocando novamente para Cris, que caiu. O pênalti foi marcado. Aos 44, Marta cobrou no canto esquerdo de Lindahl, com a categoria que lhe é peculiar.

Os três gols fizeram o time ir para o intervalo sorrindo, contrastando com o semblante preocupado das suecas, que pareciam não acreditar no estava acontecendo.

Segundo tempo

À Suécia só restava adiantar-se em campo e ir para o ataque a todo custo. O Brasil se segurou, recuou e  passou a aproveitar o os contra-ataques. Aos 10 minutos, Formiga deu lugar a Andressinha e recebeu sua merecida dose de aplausos.

Em bela jogada sueca, Seger avançou pela ponta direita e tentou o cruzamento. A bola parou na marcação, mas sobrou para Rolfo que  tentou o chute pelo centro da grande área. A zaga afastou novamente.

Bia animou a torcida ao dar um chapéu incrível em sua marcadora aos 17 minutos Mas a alegria  da jogada deu lugar à preocupação na sequência. Cristiane, sentiu o posterior da coxa direita em lance na área brasileira e, na mesma hora, fez sinal de substituição para o treinador. Ela deu lugar a Debinha e criou uma interrogação para as próximas partidas.

Aos 35 minutos, a craque mostrou que é Craque, com “C” maiúsculo. Marta recebeu de Bia e, ao tentar a tabela, a bola bateu na zagueira e voltou pra ela mesma. Um domínio de tirar o fôlego foi o tempero de mais um gol da camisa 10: Marta tocou na saída da goleira e saiu para o abraço.

Bia também queria mais um. Era dia de baile: a atacante recebeu de Debinha na grande área, limpou o lance e chutou, sem chances para Lindahl.

“Viver o dia de hoje foi mágico. No primeiro gol, a Marta comentou comigo que se arrepiou. Numa bola que parecia perdida, eu estava ali preparada e consegui marcar. Foi uma explosão de sentimentos na comemoração. E ainda teve o segundo gol em outro estilo. Vai ser difícil dormir esta noite”, disse Bia que, aos 22 anos, está em sua primeira Olimpíada.

Entre os gritos de “Olé”, Schelin ainda diminuiu para as europeias no finalzinho. Mas nem comemorou. o que ficou para a história: Brasil 5 x Suécia 1.

“A gente vem quebrando tabus. A gente fica feliz quando vai pro aquecimento e já vê o estádio meio lotado, e quando volta pro jogo ele está totalmente lotado. A gente fica feliz em sentir o público gritando, nos ajudando. Mas temos que tomar cuidado. O ‘oba, oba’ é pra eles, porque só foi o segundo passo, tem muito mais pela frente”, afirmou Formiga, que está vivendo sua sexta Olimpíada.

África do Sul x China

Na partida que abriu a rodada no Engenhão neste sábado, a China venceu as sul-africanas por 2 a 0. O primeiro gol foi de Yasha Gu, aos 45 minutos do primeiro tempo. O segundo foi uma pintura: Ruyin Tan viu Barker adiantada, arriscou do meio do campo e encobriu a goleira aos 42 da etapa final.

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