Wu fatura a prata na pistola de ar 10m, o primeiro pódio do Brasil

Por Michelle Abílio, brasil2016.gov.br

Na história do Brasil em Jogos Olímpicos, a primeira medalha de nossa história veio no Tiro Esportivo, com o ouro de Guilherme Paraense, na Antuérpia, em 1920. Agora, 96 anos depois, a modalidade volta a conquistar mais uma medalha histórica para o esporte brasileiro. “Guilherme Paraense era militar. Eu também sou. É legal repetir essa história. Foi um feito enorme na época”, disse Wu, primeiro brasileiro a subir ao pódio na Rio 2016, com a prata na prova de pistola de ar 10m.

No estande construído para o Pan de 2007 e batizado com o nome de Guilherme Paraense, Felipe Wu anotou 202.1 pontos e ficou atrás apenas do vietnamita Xuan Hoang, que conseguiu 202.5 pontos. O terceiro lugar ficou com o chinês Wei Pang (180.4 pontos). “Eu sabia que seria difícil. Eu estava na expectativa, a torcida estava na expectativa e toda a imprensa também. Mas consegui me controlar bem. Eu logo fiquei solto”.

“Eu sabia que seria difícil. Eu estava na expectativa, a torcida estava na expectativa e toda a imprensa também. Mas consegui me controlar bem. Eu logo fiquei solto”

O atirador brasileiro chegou para a competição no topo do ranking mundial, posto que ele assumiu este ano, após vencer a etapa da Copa do Mundo de Bangkok, na Tailândia, onde o vietnamita também saiu com medalha. Em 2015, Felipe Wu conquistou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, e ajudou a dar mais visibilidade à modalidade.

Feliz com o próprio desempenho, o medalhista fez questão de elogiar o campeão. “Quando ganhei a medalha de ouro na etapa de Bangkok, ele estava no pódio. Hoje ele fez pontuações muito boas. Ele tem atirado muito bem. Está sempre entre os finalistas. Vou parabenizá-lo”, disse.

Felipe Wu é paulistano e tem 24 anos. Atualmente, treina no clube Hebraica, em São Paulo. Para o futuro próximo, pretende retornar para a faculdade de Engenharia em setembro e disputar o mundial da modalidade em 2018. “Eu sou um dos mais novos na competição, espero continuar me dedicando ao esporte e volto para a faculdade em setembro. Eu gosto de estudar. Antes o tiro era meu hobby, agora vivo do tiro esportivo”, disse o medalhista olímpico.

O local da final do tiro esportivo estava lotado. A grande maioria da torcida era de brasileiros, que nos momentos finais gritavam o nome de Wu. Para o atirador, essa presença foi um incentivo importante para o resultado final. “Até hoje pela manhã eu achava que a torcida não fazia diferença. Mas no momento final eu senti muita energia boa e fiquei feliz com o apoio da torcida brasileira”, contou Wu.

Após a cerimônia de premiação, a torcida, a capela, ecoou pelo palco da final o Hino Brasileiro, emocionando Felipe Wu e todos que estavam no local.  “Foi um momento legal. Espero que com a medalha o esporte fique mais conhecido no país”, comentou Wu, que também recebeu um telefonema do ministro do Esporte, Leonardo Picciani, felicitando o atleta pela conquista.

Júlio Almeida

Na fase classificatória, o atirador Julio Almeida terminou a competição em 13o lugar, e apenas oito seguiriam para a final. “Não dá para dizer que foi ruim, mas senti um gostinho de derrota, eu tinha condições de chegar na final. Pelo menos 30 atletas tinham condições e só oito entram”, lamentou Julio.

Primeiro ouro dos Jogos

Eram 11h deste sábado quando saiu a primeira medalha dos Jogos Olímpicos Rio 2016. A dona do primeiro ouro foi a norte-americana do tiro de carabina de ar 10m, Virginia Thrasher. Ela entra para a história desta edição após cravar 208.0 pontos na etapa final. “Foi estressante. Meu coração batia acelerado. Eu  só tinha um objetivo que era fazer o

Brasileiro Felipe Wu comemora a conquista da medalha de prata na prova de pistola de ar 10m nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Brasileiro Felipe Wu comemora a conquista da medalha de prata na prova de pistola de ar 10m nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

melhor.  Estou feliz com o resultado”, comemorou a medalhista de 19 anos.

A prata ficou a chinesa Li Du, com 207.0 pontos. Durante a etapa classificatória, a chinesa, medalha de ouro em Atenas 2004, quebrou o recorde mundial e olímpico da modalidade, com 420.7 pontos. “Fiquei parada por dois anos, não esperava voltar tão bem”, afirmou a chinesa.  A China também conquistou o bronze  com Siling Yi, que acumulou 185.4 pontos.

Já a brasileira Roseane Budag foi a penúltima da classificação geral com 396.9. “Meu batimento cardíaco aumentou, fiquei nervosa e perdi o tempo da prova. Foi uma tragédia!”, lamentou a brasileira.

Investimentos

O governo federal oferece apoio ao tiro esportivo em diversas frentes. Por meio de convênios, os investimentos tiveram início em 2010, quando foi destinado R$ 2,5 milhões foram alocados para a participação em eventos internacionais e para ajudar a preparar a seleção olímpica para os Jogos de 2016, com a estrutura do Centro Nacional de Tiro Esportivo, em Deodoro.

Em 2013, um convênio de R$ 2,5 milhões investiu na preparação de cerca de 70 atletas para competições internacionais, incluindo o Mundial de 2014, os Jogos Pan-Americanos de 2015, três edições da Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Os recursos foram destinados à descoberta de talentos e ao custeio da equipe multidisciplinar, da comissão técnica e do pessoal técnico para o Centro Nacional, em Deodoro.

O ano de 2014, por sua vez, contou com dois convênios firmados entre a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) e o Ministério do Esporte. O primeiro deles, no valor de quase R$ 2 milhões, teve o objetivo de proporcionar infraestrutura técnica adequada para a preparação do atleta Cássio Rippel. Já o segundo convênio, de R$ 1,9 milhões, foi voltado à participação da seleção brasileira nas principais competições de tiro ao prato, também com foco na preparação para os Jogos Olímpicos.

A Bolsa Pódio beneficiou quatro atletas ao longo do atual ciclo olímpico, investindo um total de R$ 459 mil. Na modalidade paralímpica, mais um atleta foi contemplado (R$ 204 mil). Já na Bolsa Atleta, entre 2012 e 2015 foram 962 bolsas concedidas nas categorias base, nacional, internacional e olímpica/paralímpica, totalizando um aporte de quase R$ 12,9 milhões.

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