A Magia no Futebol

Ao saber que Paulo Bento não era mais o técnico do Cruzeiro, eu pensei: se um bento não foi capaz de dar brilho às estrelas que já não representam tão bem uma constelação, talvez seja melhor recorrer a um benzedor. E bastou aquilo para me lembrar de um “bruxo” que marcou época em Minas Gerais.

Ele nasceu José Lúcio, em 1921, e faleceu perto de completar 68 anos de idade, em 1989. Antes de tudo, era ferroviário. Como José muitas vezes leva a Juca, daí veio o diminutivo Juquita, com o qual se fez famoso, tanto pelas indiscutíveis qualidades como treinador e estrategista técnico, quanto pelo seu lado místico.

Como conhecedor do futebol, um dia teria dito que dois atletas que ele havia treinado no futebol mineiro estavam entre os poucos que reuniam condições para substituir Pelé, cujo fim de carreira já estava sendo anunciado, no Santos: Toinzinho, do Uberaba Sport Clube, e Ailton Lira, da Associação Atlética Caldense. E coincidência ou não, ambos brilharam no time da Vila Belmiro, exatamente na função que era do rei ― primeiro Toinzinho, depois Ailton Lira. E como gostava de dizer o repórter Josué Borges (hoje o advogado Josué Borges de Santana), “guardadas as devidas proporções”, mandaram muito bem.

Agora, sobre o seu outro lado, que na verdade era mais folclore que qualquer coisa ligada ao sobrenatural, pois ele usava aquilo com o propósito de desestabilizar emocionalmente os adversários, direi apenas o que vi certo dia, no velho Estádio Zama Maciel, em Patos de Minas.

O jogo era URT x Uberlândia Esporte Clube. Não me lembro por que competição, mas jogo oficial. E, claro, Juquita era o técnico do time de Patos. Ao que a delegação uberlandense chegou ao estádio e se dirigiu ao vestiário, que ficava sob as arquibancadas em cima das quais se achavam as duas ou três acanhadas cabines de rádio, notei que alguns jogadores não se mostravam dispostos a entrar. E só se animaram depois de alguém fazer uma oração e retirar dali onze bonequinhos enforcados com barbante, que traziam um alfinete enfiado no peito, a prender um pedaço de papel. Em cada papelzinho daqueles estava escrito um nome e ali estavam todos os titulares que o Uberlândia havia escalado para aquela partida, entre esses, o ponta-esquerda Fernando De Arara.

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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