Carlos Roberto relembra título brasileiro do verdão

Maestro do meio de campo do Uberlândia Esporte Clube (UEC) no título da Taça CBF de 1984 – Campeonato Brasileiro – Série B, Carlos Roberto relembra com saudades o que considera como a sua melhor fase no futebol. O ex-craque alviverde vive, atualmente, na cidade de Belo Vale (MG), com pouco mais de 7 mil habitantes, a 87 km de Belo Horizonte. Lá, ele trabalha com uma escolinha de futebol.

Roberto foi indicado ao Verdão, na época, pelo motorista do clube, Pedrinho, e o diretor de futebol, Pedro Naves, foi o responsável pela contratação do meia, que estava no Guarani de Divinópolis. Canhoto, dono de lançamentos milimétricos e já veterano para aquela época, com 32 anos, ele se encaixou como uma luva no esquema de jogo do técnico Cento e Nove, do Verdão.

“Hoje moro na zona rural, crio uma galinhas, umas vaquinhas e, no futebol, sou professor em uma escolinha de Belo Vale. Sou feliz aqui, mas sinto muitas saudades do tempo em que vesti a camisa do Uberlândia, um time forte, que sempre era muito respeitado pelos adversários. Sem dúvidas, vivi, no Verdão, o auge da minha carreira”, disse Carlos Roberto.

Mas a passagem de Carlos Roberto pelo Verdão acabou sendo curta. Depois do título do Brasileiro, ele acabou se desentendendo com a diretoria e deixou o Furacão. “Depois do título, eu não me lembro muito bem quem era o novo presidente que entrou no lugar do Pietro Paladini, mas ele começou a inventar e eu pedi para sair. Pensei até em parar, fiquei três meses no Blumenau (SC) e encerrei no Boa Vista de Sete Lagoas(MG)”, disse Carlos Roberto.

Mescla e objetivo

O meia começou a carreira em 1975 no Valério de Itabira. Passou ainda por clubes como Atlético Mineiro, Goiás, Guarani de Divinópolis, clube pelo qual jogou por sete anos e também Villa Nova de Nova Lima. O fato de já conhecer o técnico Cento e Nove foi determinante para a vinda de Roberto para o Verdão. “Já tinha jogado com ele (Cento e Nove) no Valério. Conversei com o técnico e aceitei o convite. Tinha muito menino bom de bola subindo da base e alguns mais experientes, uma boa mescla. Conversando a gente falava que dava pra ir longe, pois o time era muito bom. Pegamos firme, todo mundo abraçou a proposta e o time jogou para caramba”, disse.

“Apesar de ter jogado em clubes importantes, como o Atlético do técnico Telê Santana, acho que o Uberlândia foi o pico da minha carreira. Vou falar uma coisa: ‘O pessoal aí de Uberlândia fez um trabalho espetacular. Sinto falta demais da conta de Uberlândia. Nunca mais voltei em Uberlândia depois que saí do time. Tenho muita vontade de conhecer o CT Ninho do Periquito, visitar o estádio Parque do Sabiá. Lembro-me de todos os membros da imprensa daquela época, um por um’”, afirmou.

Levando uma vida tranquila em Belo Vale, Carlos Roberto afirma que acaba sabendo pouco sobre o Uberlândia Esporte. “Na medida do possível, eu acompanho, mas é muito difícil. Às vezes, a gente sabe alguma coisa. A imprensa nacional tinha que dar mais valor ao Uberlândia, que foi campeão nacional. Raros times do interior conseguiram tal feito”, disse.

Opinião

Luis Antônio Figueira era repórter e cobria o Uberlândia Esporte Clube em 1984 durante a Taça CBF. Ele descreve como era o meia Carlos Roberto dentro das quatro linhas. “Ele era um meia de técnica refinada, que sabia cadenciar e encorpar o meio de campo. Era um jogador tranquilo, porém exercia liderança sobre os demais. Fazia lançamentos de 40 e 50 metros com uma precisão incrível. Foi um dos melhores meias que passaram pelo UEC e pelo futebol mineiro. Se fosse hoje, jogaria em qualquer grande clube”, disse.

O ex-presidente do UEC Eduardo Anchieta fez parte do grupo no início da competição e também destacou as características do meia. “Canhoto, posicionava bem em campo, tinha ótimo de toque e colocava os companheiros na cara do gol. Atleta clássico e que sabia também esconder a bola dos adversários, era complicado tomar a bola dele”, disse.

 

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Eder Lúcio
Eder Lucio é jornalista formado no Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e tem especialização em Jornalismo Esportivo. Trabalhou por oito anos como repórter do Jornal Correio de Uberlândia, no qual participou de coberturas jornalisticas na região e por todo o Brasil.

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