Ophir Lopes, mais que um comentarista

Ophir Lopes chegou a Uberlândia para gerenciar o Cine Regente, mas a sua história com o esporte, especialmente com futebol, logo fez com que se tornasse comentarista da Rádio Educadora.

Penso que o convite tenha partido de Luis Cézar, locutor esportivo que também viera do interior paulista e que devia conhecê-lo por lá. Da Educadora, Luís foi para a Gazeta de São Paulo, depois para a Nacional e hoje, com o nome próprio (Luis Carlos Fabrini) atua na Rede Vida de Televisão.

Já Ophir, permaneceu por aqui e fomos nos encontrar na Rádio Uberlândia, onde passei a identificá-lo como o Comentarista da Verdade.
Como atleta, Ophir marcou época no Botafogo de Ribeirão Preto, cidade em que cresceu e viveu por muitos anos, vizinha da sua Brodowski, onde nasceu e se fez conterrâneo de Cândido Portinari.

Depois de encerrar a carreira como centroavante, eventualmente treinou aquela equipe. Não posso afirmar que tenha treinado outra, mas sei que até árbitro ele foi. E é sobre isso que desejo falar, já antecipando minhas desculpas, por não me lembrar dos nomes das equipes envolvidas, nem mesmo em que cidade se deu o que vem a seguir. Mas foi ali na região de Ribeirão Preto.

Jogo importante, de decisão de campeonato.Tudo ia bem, prevalecendo o zero a zero, devido ao equilíbrio que se podia ver entre os adversários.

Mas de repente, como último recurso, um zagueiro da equipe da casa deu uma autêntica rasteira no atacante, já dentro da área. Ophir, que vinha acompanhando a jogada, soprou com força o apito e continuou a correr, até parar sobre a marca do pênalti.

Só que ao chegar ali, percebeu que havia muito mais que alguns jogadores ao seu redor. Como o campo não dispunha de alambrado, a torcida já havia invadido. À frente, vinha uma senhora, com o cabo do guarda-chuva apontado para a sua cabeça.

Ele então, como se agisse com a autoridade que deve ter um bom juiz, trilou de novo o apito e mostrou a marca penal, com o dedo indicador da mão esquerda.

Só que com o braço direito estendido e a mão direita espalmada, já apontava para o meio do campo e dizia: prá lá!

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Odival Ferreira
ODIVAL FERREIRA é jornalista, locutor esportivo e autor de quatro livros, entre os quais UBERLÂNDIA ESPORTE CLUBE, A História e Seus Personagens.

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