O cara da vez no futebol amador

O Manchete Esportiva estreia uma série de entrevistas com várias personalidades do meio esportivo da cidade, denominado O cara da vez. A série começa com Haender, ídolo do Uberlândia Esporte Clube e um dos maiores artilheiros da história do Futebol Amador de Uberlândia. Confira o que o artilheiro disse sobre o cenário esportivo uberlandense

ME: Com você, não tem como deixar de falar do UEC; afinal, foi ídolo e é torcedor doente. Como avalia a atual fase do clube e o que acha que faltou neste ano, já que vínhamos de um 2015 glorioso?
Haender: Falar do UEC pra mim é sempre motivo de orgulho, minha paixão pelo clube é muito maior do que imaginam. Vi o início do time no campeonato muito promissor. Ele era muito competitivo, apesar de não muito bom tecnicamente, mas do meio do campeonato para frente foi notória a queda física do time e essa era a parte boa do time no início, aí precisou de ser bom tecnicamente, mas não foi. Acho que a falta de um comando melhor afetou o rendimento final, deixando que problemas de relacionamento o afetassem e ele viesse a cair.
ME: Você costuma dizer que, às vezes, é preciso chutar o balde, literalmente, falando. Você acha que faltou isto em 2016?
Haender: Sempre falta esse tipo de comando num time, sendo necessário isso depois da segunda derrota. Até acho que alguém tentou fazer, mais deixaram vazar e isso criou antipatia entre alguns jogadores. Quando alguém toma essa atitude, ela tem que ser voltada para agregar e não para dividir. Por mais que seja uma atitude forte e ríspida, ela tem que ser pensada em como dar resultados.
ME: Todos nós, até mesmo quem não é muito ligado ao Amador, conhecemos o Haender como artilheiro-mor do Campeonato na cidade. Então, você tem time para defender em 2016 ou já foi consultado por alguma equipe?
Haender: Eu sou do bairro Lagoinha e sempre me cobraram ajuda, mas, como era quase impossível não jogar a primeira Divisão nos outros anos, não tinha como eu ir. Neste ano, vi que chegou a hora de estar com a turma do meu bairro, conversei com o Zé Carlos e o Hugo e eu pedi para ajudar, eles gostaram muito da ideia e estou à disposição de atuar e ajudar na montagem do time. Para mim, existe uma coisa no esporte maior do que vitória e título. É fazer história, isso é inigualável e nos torna eternos. O Lagoinha quer ir para a primeira Divisão e isso fará história aqui.
ME: Não vou falar o nome para não expor a pessoa, mas outro dia um artilheiro do Amador me disse que estava na artilharia do campeonato, você estava machucado e a uns 4 gols dele. Aí, você volta e, em 5 ou 6 jogos, toma a artilharia. Ele até brincou: poxa, o Haender não deixa ninguém ser artilheiro, qual é o segredo para fazer tantos gols?
Haender: Cara, sempre fui perfeccionista e me cobrei demais. Desde menino, eu vivi sobre cobrança no futebol, porque meu pai foi um centroavante de renome na região, porém sempre me olhavam como a sombra dele e diziam que não ia ser nada perto dele. Então, eu treinava demais, ele mesmo me falava como tinha que fazer finalização. Eu ia para o campo de Estrela do Sul e, sozinho, ficava treinando. Quando cheguei a Uberlândia, existiam muitos craques e goleadores, então eu aprimorava a parte física sozinho na praça Sérgio Pacheco. Isso me deixava melhor e, quando jogava nunca me acomodava, sempre queria mais gols. Foi assim no UEC, quando eu perdi 11kg em um mês e ganhei 5kg de massa magra, fiquei um cavalo e treinava até conseguir o objetivo. Acho que a dedicação extrema foi o segredo!
ME: Quantos gols você fez, contando Amador e profissional? Haender: São 782 ao todo, conto em um caderno de 1996 para cá, mas, antes disso, só conto o que lembro.
Tenho todos os números por time e ano. Somente jogos em campo e com algum sentido. Jogo de fim de ano não entra e campeonatos que não sejam de campo, também não.
ME: Voltando ao campeonato da cidade, como você está vendo o cenário do Amador 2016? O que achou desta nova fórmula de disputa?
Haender: Não gostei não, mas posso estar errado. Temos que ver, na prática, para ter uma visão melhor, acho que ficou ruim.
ME: Com a crise atual, o Amador ficou muito caro? Acredita que esta crise possa resultar em um campeonato menos atrativo?
Haender: O que deixa o campeonato menos atrativo nem acho que seja a crise, para mim é a pouca renovação de atletas. Vejo pouca aparição de jogadores que realmente são jogadores. Na nossa época, tínhamos objetivo de ser profissional e atuávamos muito bem pra chamar a atenção, com dinheiro ou sem dinheiro. Hoje, se não tiver a grana, também não tem jogador dedicado.
ME: Foi bom você tocar neste assunto, hoje vemos o contrário, profissionais se tornando amador novamente. Como fazer para que o cenário volte a ser como antes?
Haender:  Profissionalizar-se como dirigente e comando técnico, o problema são jogadores sendo amador com comando sempre amadores; se o comando for profissional, os jogadores serão obrigados a caminhar da mesma forma.
ME: Você vê alguma equipe favorita para vencer o Amador de 2016?
Haender: O time que tiver a espinha dorsal do Tabajaras 2015 já sai na frente dos outros, pois aqueles jogadores foram os que conviveram com nossa geração vitoriosa. São os moicanos que restaram: Patrick, Diego Carlos, Marcel, Renan Dener, Juliano, Tiaguinho etc. Eles se comprometem com o time!
ME: Agora, vou jogar você contra a parede! Drible e faça o gol! Qual a sua seleção do Amador?
Haender: 1. Roger, 2. Diego Carlos, 3. Aranha, 4. Hercules, 6. Dodinho, 5. Julio, 8. Patrck, 10. Adélio, 7. Alcione e 9. Eu
Ainda queria pontuar uns nomes que poderiam estar na lista facilmente: Tiolim, Dário, Daniel Canela, Gi Baia, Mauzir, Leomar, Reginaldo, Marcinho dentre outros.
ME: Quais são os seus projetos para 2016?
Haender: Existe uma possibilidade sobre eleições. Sempre me senti atraído pela política e cheguei à conclusão que pessoas como eu não podem mais ficar fora da política, porque senão nunca mudaremos o país. Pode acontecer ainda neste ano, o povo está cansado e eu sou do povo. Hoje, estudo Política três vezes por semana e pretendo tirar desse estudo a parte boa porque a outra parte eu já tenho, caráter e berço educativo!

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Welison Silva
Welison Silva é empresário de profissão e jornalista amador por paixão, foi blogueiro no Globo Esporte e criador do programa resenha do site Canal UEC e logo após Futebol Uberlândia. Apaixonado por futebol e principalmente pelo Uberlândia Esporte Clube, vive dando seus pitacos em relação ao esporte bretão.

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