Zecão, 2 anos de saudade

Há mais de dois anos – 24 de junho 2014, o Uberlândia Esporte Clube (UEC) perdia um dos maiores ídolos de sua história. José Elias Cury Ana Gonçalves, o Zecão, símbolo da raça alviverde e um dos principais heróis do título da Taça CBF de 1984 – Campeonato Brasileiro Série B – morria em decorrência de complicações hepáticas aos 56 anos.

A dor da perda do ídolo não cicatriza nos corações dos apaixonados torcedores do Verdão, que, mediante tantos insucessos do clube nos últimos anos, só têm para relembrar os momentos de glória e dedicação de Zecão. Vestindo a camisa do Uberlândia, trabalhando como supervisor e também, em sua última passagem, em 2014, como treinador, foram 35 anos de dedicação ao clube pelo qual sempre declarou o seu amor.

A história de Zecão e a sua paixão pelo Uberlândia Esporte começou em 1979, quando, ainda garoto, chegou de Ituiutaba, sua terra natal, para integrar as categorias de base do Verdão. Quem abriu as portas para o zagueiro no UEC foi o ex-presidente Elmo Silles, mandatário do clube entre 1979 e 1983.

Em 1984, Zecão já era um dos líderes do Uberlândia e foi um dos responsáveis pelo maior título da história do clube. No último jogo da final da Série B contra o Remo, em Belém (PA), ele salvou o gol do time paraense, aos 37 minutos do segundo tempo, que tiraria o título das mãos do Verdão.

Clubes

Além do UEC, Zecão defendeu clubes como a União Tijucana, de Ituiutaba, sua cidade natal;Taubaté (SP); Rio Branco de Andradas (MG); Vila Nova (GO); Vitória (BA) e também o Clube Atlético Patrocinese, de Patrocínio, no qual encerrou a carreira de jogador profissional em meados dos anos 1990, começando o trabalho de supervisor, função que, posteriormente, também desempenhou no Uberlândia Esporte.

Depoimentos

Luis Antônio Figueira, jornalista esportivo e que foi, por anos, setorista do Verdão: “Zecão foi ídolo no Uberlândia Esporte sem nunca ter sido craque. Era zagueiro sem grande técnica, mas compensava o estilo ‘grosso’ com muita raça e, sobretudo, com grande amor pela camisa alviverde. Defendeu o time do seu coração com grande respeito, tanto na condição de atleta como na de supervisor. Mesmo com a saúde já debilitada, não se escondeu e assumiu o cargo de treinador da equipe, que, naquele ano, só não conseguiu o acesso ao módulo I por razões totalmente alheias ao que ele sonhava e queria. Sem dúvida, Zecão deixou seu nome marcado no UEC e gravado no coração de cada torcedor do Verdão”, destacou.

Wellington Fajardo foi treinador do UEC em cinco oportunidades: “Falar do Zecão é falar de um irmão que fiz no futebol. Trabalhei com ele nas cinco passagens que tive pelo Uberlândia. Dentre suas inúmeras qualidades, destaco a retidão como homem e seu amor pelo Uberlândia Esporte Clube, que sempre me contagiou a doar “110%” ao clube. Sabia que, além do profissional que tinha ao meu lado, também existia um torcedor fanático do Uberlândia. Isto sem falar da importância histórica que ele representa para o Clube. Saudade do meu grande amigo Zecão. Que Deus o tenha”, disse.

Silésio Marcos, repórter esportivo. “Zecão foi uma das pessoas mais importantes que passaram pelo UEC. Devemos a ele a conquista da Taça CBF de 1984, quando, nos minutos finais do jogo decisivo contra o Remo, ele tirou uma bola em cima da linha de gol. Ele dedicou o resto da vida dele ao UEC”, afirmou.

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Eder Lúcio
Eder Lucio é jornalista formado no Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e tem especialização em Jornalismo Esportivo. Trabalhou por oito anos como repórter do Jornal Correio de Uberlândia, no qual participou de coberturas jornalisticas na região e por todo o Brasil.

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