Rodrigo Santana, treinador da nova geração

Treinador da nova geração do futebol brasileiro, o jovem Rodrigo Santana, 34 anos, aguarda o desdobramento de algumas negociações para trabalhar no segundo semestre deste ano. Rodrigo, por muito pouco, não levou o Uberaba de volta à elite do futebol mineiro. O Zebu precisava bater o Mamoré no estádio Uberabão, mas não passou de um empate com o Mamoré e, dessa forma, vai permanecer mais um ano no Módulo II do Mineiro.

Com bons trabalhos, principalmente no futebol paulista, onde levou o Juventus à Série A2 do Paulista e em Santa Catarina, Santana acredita que a juventude e o estudo dos jovens treinadores é a porta de entrada para a melhora do futebol brasileiro. Em uma entrevista exclusiva para o Manchete Esportiva, Rodrigo fala um pouco sobre o seu começo no futebol profissional e traça metas para o futuro. Ele não descarta, um dia, ter oportunidade para treinar o Uberlândia Esporte.

ME: COMO VOCÊ COMEÇOU A SUA TRAJETÓRIA NO FUTEBOL? FOI JOGADOR? PASSOU POR QUAIS CLUBES?

RODRIGO SANTANA: Minha trajetória no futebol começou na minha cidade, Santos. Lá, fui da base de um clube tradicional chamado Jabaquara Atlético Clube. Depois, fui para a base do Santos. Como profissional, atuei em alguns clubes do Brasil, da Hungria e Bolívia.

ME: QUANDO COMEÇOU sua carreira de treinador?

RODRIGO SANTANA: Minha história como treinador se iniciou em Santa Catarina, no ano de 2010, onde já atuava como um supervisor do Camboriú F.C, mas, quando o time passava por uma situação complicada no campeonato, com risco de rebaixamento. A diretoria, sem outra opção, acabou me incumbindo da tarefa. Dei sorte, tirei o time da zona da degola e peguei o gosto pela coisa. Com o feito, acabei sendo convidado para assumir a equipe Sub-20 do Pinheiros, também de Santa Catarina. Lá, fomos campeões invictos da competição e acabei por assumir a equipe profissional. De lá pra cá, passei por Uberaba – MG (2012), Barueri – SP (2013), União Suzano – SP (2013), São Carlos – SP (2014), Juventus – SP (2014,2015,2016) e, novamente, o Uberaba neste ano.

ME: QUAIS SEUS PRINCIPAIS FEITOS NO FUTEBOL?

RODRIGO SANTANA: Feitos dentro do futebol podem ser entendidos de diferentes formas. Existe a ótica do torcedor e a do profissional do futebol. Alguns feitos são diretamente relacionados à estrutura e ao planejamento do clube, daquilo que o clube almeja. Às vezes, uma diretoria se programa pura e simplesmente para não cair de Divisão, outras para pontuarem bem sem a obrigação de ser campeãs. Entende?
Na minha visão, ter livrado o Camboriú e o Barueri do rebaixamento, pois eles estavam em situações consideradas pelas próprias torcidas e imprensa irreversíveis e, ainda, o acesso com o Juventus foram grandes feitos.

ME: O QUE VOCÊ ACHA DA TENDÊNCIA DE TREINADORES JOVENS E ESTUDIOSOS, COMO FERNANDO DINIZ, LESTON JUNIOR, LÉO CONDÉ, E OUTROS?

RODRIGO SANTANA: Essa tendência precisa virar regra, porque, somente, assim o futebol brasileiro poderá extrair o melhor possível de sua matéria-prima com o Brasil tendo, novamente, o melhor futebol do mundo.

ME: QUAIS AS SUAS PRINCIPAIS QUALIFICAÇÕES COMO TREINADOR?
RODRIGO SANTANA: São compromisso e vontade de vencer, características inerentes a qualquer profissional do esporte. Contudo, alguns contam com uma percepção mais aguçada e uma didática que torna fácil a absorção dos conhecimentos transmitidos. Considero-me inteligente para a matéria futebol. Consigo ler, rapidamente, a disposição tática num jogo. Meus esquemas me permitem alterações táticas sem necessidade de substituição de jogadores durante a partida. A posse de bola e ofensividade são as marcas dos times que treino.

ME: QUAL É O SEU CONCEITO SOBRE O FUTEBOL TANTO NO BRASIL QUANTO NO EXTERIOR HOJE?

RODRIGO SANTANA: No futebol, não há mais espaço para amadores. Futebol se faz com competência, seriedade e dinheiro. O Brasil está num bom caminho para isso. Pelo menos, os grandes clubes estão. Infelizmente, a disparidade financeira conta muito. Na Europa, existe essa disparidade, porém os menores possuem o mínimo necessário para fazer um bom trabalho, bem ao contrário daqui.

ME: QUAIS AS SUAS METAS PARA O FUTURO?

RODRIGO SANTANA: Manter-me atualizado e chegar a um clube que me ofereça estabilidade para trabalhar. Projeto é uma palavra que treinador adora ouvir. É necessário para um bom andamento. O treinador precisa saber que terá tempo para realizar projetos e atingir metas. Não é atoa que, hoje, o Tite é considerado o melhor. É só analisar o tempo dele à frente do time.

ME: VOCÊ ESTÁ EM ALGUM CLUBE OU EM NEGOCIAÇÃO?

RODRIGO SANTANA: Estou sem clube, aguardando a melhor oportunidade.

ME: O QUE ACHOU DA EXPERIÊNCIA NO FUTEBOL MINEIRO NESTE ANO?

RODRIGO SANTANA: Foi minha segunda passagem e achei muito bacana. A torcida do Uberaba é apaixonada, lugar de gente comprometida.

ME: SABE ALGO SOBRE O UBERLÂNDIA ESPORTE? VOCÊ TEM PRETENSÕES DE UM DIA TRABALHAR AQUI?

RODRIGO SANTANA: O Uberlândia é um time tradicional, com excelente estrutura e torcida apaixonada. Fica numa cidade muito bacana e, evidentemente, vindo um convite ficaria muito honrado.

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Eder Lúcio
Eder Lucio é jornalista formado no Centro Universitário do Triângulo (Unitri) e tem especialização em Jornalismo Esportivo. Trabalhou por oito anos como repórter do Jornal Correio de Uberlândia, no qual participou de coberturas jornalisticas na região e por todo o Brasil.

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